os Poetas>> Percy B. Shelley
os Poetas
Shelley é o quinto da seção Os Poetas.
Percy B. SHELLEY
(1792-1822)
biografias
versão 1
Percy Bysshe Shelley (1792 – 1822), embora fosse fruto de uma família conservadora, era um radical anticonformista em sua vida e pensamento. Seus ancestrais foram aristocratas: seu avô se fez o mais rico homem em Horsham, Sussex e seu pai foi membro do partido dos Whigs, no Parlamento inglês.
Shelley foi mandando para estudar em Eton e Oxford. Por ter um físico não muito avantajado, ter idéias mais excêntricas e ser ruim nos esportes e lutas, ele apanhava dos meninos mais velhos e fortes.
O poeta ficou apenas seis meses em Oxford – reza a lenda que ele assistiu a apenas uma aula na instituição. A academia não lhe interessava – ou poderia até ser vista como uma gaiola para as mentes desses poetas ingleses da segunda geração romântica, já que Shelley, Byron e Keats não eram muito adeptos de seguirem o que a academia mandava. Os interesses de Shelley estavam mais centrados no estudo de textos sobre filosofia. Nessa época, Shelley, com seu amigo Thomas Jefferson Hogg, publicou uma novela onde o personagem-título, Zastrozzi, mostrava uma visão de mundo ateia. Foi sua primeira publicação.
Quando publicaram um panfleto chamado The Necessity of Atheism, os diretores da universidade o obrigaram a renegar seu próprio texto. O texto defendia que a existência de Deus não poderia ser provada por meios científicos. Shelley se recusou a repudiar o documento, como lhe fora ordenado. Ele foi expulso da universidade e, mesmo com a oportunidade de voltar a ela graças à intervenção de seu pai, Shelley foi assertivo na sua decisão. Decisão esta que culminaria no afastamento entre ele e seu pai.
Ao voltar pra Londres, ele conheceu Harriet Westbrook, na época com 16 anos de idade, com quem fugiu para Edinburgh para se casar, mesmo que não acreditasse na substancialidade da instituição matrimônio. Em 1812, eles viajaram para Dublin para distribuir Adress to The Irish People e ajudar no movimento pela emancipação Católica e em defesa das pessoas pobres e oprimidas.
Quando voltou a Londres, tornou-se discípulo de Willian Godwin, um filósofo social radical, que o ajudou a publicar, em 1813, secretamente, seu primeiro trabalho importante, Queen Mab, em que Mab mostra visões de um passado deplorável, um presente horrível e um futuro utópico. Além disso, a obra profere a anunciação que Deus não existe.
Pouco tempo mais tarde, já havia se distanciado de Harriet, apaixonou-se por Mary Woolstonecraft Godwin. Então ele troca Harriet por Mary e vai para França com Mary e convida Harriet para morar com eles como se fosse sua irmã. Quando voltou para Londres, encontrou a maioria de seu público, seus amigos e familiares o considerando não só como um ateu revolucionário, mas também como um grande imoral. Dois anos depois, a guarda de seus dois filhos com Harriet é negada a ele pela corte, depois do suicídio por afogamento de Harriet em 1816.
Em 1818, Shelley se casa com Mary mudando-se para a Itália. Ele jamais retornaria à Inglaterra. A irmã de Mary, Jane, também vai com eles. Na Itália, Jane, que mais tarde se chamaria Claire Clairmont, tem um caso com Lord Byron. Shelley e Byron, então, tornam-se amigos e, na estadia de Shelley em Pisa, formam o Círculo de Pisa: um grupo de amigos que se reuniam com o poeta. Além de Byron, Edward Trelawny fazia parte dessas reuniões.
Um divisor de águas na vida do poeta foi a morte de seus dois filhos, Clara e William, em um curto espaço de tempo, em 1818 e 1819. Com a tristeza e a apatia de Mary, Shelley começa a fazer suas reflexões mais profundas e escrever suas obras mais elaboradas, como Prometheus Unbound e The Cenci. A tristeza é um grande fator para o desenvolvimento dos poemas de Shelley. Na morte de Keats, ele escreve uma elegia muito elaborada, Adonais.
Aos poucos, suas referências literárias mudam do terror gótico e das teorias sociais dos otimistas radicais do século XVIII para as tragédias gregas, Paradise Lost (de Milton) e a Bíblia.
Com o tempo, Shelley, apesar de sua crença em um futuro melhor, passou a atribuir os problemas do presente à própria sociedade, e imaginou uma reforma radical tencionando mudar especialmente as faculdades da moral e da imaginação.
Os poemas de sua maturidade revelam seus estudos de Platão e dos Neoplatonistas; ele admirava a divisão platônica dos cosmos em dois mundos. Sua fama de completo idealista platônico tem sido modificada por estudos mais modernos de sua obra.
Para muitos críticos do meado do século vinte, Shelley era tido como referência para exemplos de imaturidade emocional e intelectual, imitação de obras e imagens incoerentes, mas, com o tempo, conseguiu ser o objeto da simpatia de vários críticos. Na verdade, a tristeza profunda mostra-se como importante elemento na inspiração e concepção da poesia de Shelley.
No dia 8 de julho de 1822, antes de fazer 30 anos, Shelley morre afogado com seu amigo Edward Williams, devido a uma violenta tempestade que afundara o barco, na costa italiana. Foi cremado, mas seu coração foi preservado e levado a Mary por Edward Trelawney. Quando Mary Shelley morreu, ela foi enterrada com o coração de seu marido.
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versão 2
Percy Bysshe Shelley nasceu em 4 de Agosto de 1792 em Horsham, Inglaterra. Ainda jovem Percy frequentou a Sion House Academy, antes de entrar para a University College em Oxford, em 1804.
Após ser expulso da escola por expressar suas visões ateístas, e agora hostilizado por seu pai, ele foge para a Escócia com Harriet Westbrook, uma jovem de 16 anos de idade. Eles se casam em 28 de Agosto de 1811 e têm dois filhos, a menina Ianthe e o menino Charles. Nos três anos decorrentes Shelley faz diversas viagens à Inglaterra rumando para a livraria e para a casa do jornalista ateísta William Godwin, pai de Mary Wollstonecraft Godwin(1797-1851). Influenciado por William Wordworth, ele continua a escrever poesias, incluindo Queen Mab: A Philosofical Poem(1813) e a participar de várias atividades de reforma política. Ele também estava estudando os escritos de Godwin e abraçando sua filosofia radical.
A aventura de Percy Shelley com Godwin também resultou em sua amizade com Mary, que quase que imediatamente provou ser intelectualmente iguais. Em 1814, Shelley foge pela segunda vez com Mary. Os Shelley estavam passando muito tempo com Lord George Gordon Byron, que também levava uma vida controversa de complicações românticas e atividade política.
Em 1815 os Shelley voltam para a Inglaterra e se instalam próximo a Londres. O ano de 1816 é cheio de altos e baixos na vida de Shelley. Sua esposa Harriet e afoga no Serpentine River em Hyde Park – Londres- e seu filho Willian(1819) nasce e ele e Mary se casam em 30 de dezembro. “Alastor ou The Spirit of Solitude” é publicado em 1816 e seus esforços são baseados em suas viagens History of Six Weeks Tour, publicado em 1817.
Em 1818 os Shelley se mudam para a Itália e seu filho Percy Florence nasce um ano depois. Defensor do vegetarianismo , Shelley escreveu inúmeros artigos sobre o assunto. Shelley continuou suas aventuras marítimas no seu barco “Don Juan”, que afundou no dia 8 de Julho de 1822 em uma tempestade, causando o afogamento de Shelley aos 29 anos de idade. Seu corpo é levado pelas águas do mar e ele é cremado na praia próxima a Viareggio. Suas cinzas são enterradas no Cemitério Protestante em Roma, Itália.
Após a morte de Percy, sua mulher Mary Shelley, autora de Frankstein, leva a vida publicando os escritos de seu marido.
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poemas estudados
The Flower That Smiles Today
1 The flower that smiles today
2 Tomorrow dies,
3 All that we wish to stay
4 Tempts and then flies,
5 What is this world’s delight?
6 Lightning, that mocks the night,
7 Brief even as bright.
8 Virtue, how frail it is!
9 Friendship, how rare!
10 Love, how it sells poor bliss
11 For proud despair!
12 But these though soon they fall,
13 Survive their joy, and all
14 Which ours we call.
15 Whilst skies are blue and bright,
16 Whilst flowers are gay,
17 Whilst eyes that change ere night
18 Make glad the day;
19 Whilst yet the calm hours creep,
20 Dream thou — and from thy sleep
21 Then wake to weep.
estudo do poema
Análise da forma do poema:
Enjambement: versos 1 e 2; 3 e 4; 6 e 7; 10 e 11; 13 e 14; 17 e 18; 19, 20 e 21.
Aliteração:
. Versos 12 e 13:
But these thou they soon fall/ Survive their joy, and all e
. Versos 20 e 21:
Dream thou – and from thy sleep / Then wake to weep.
Rima:
ABABCCC DEDEFFF CACAGGG
Personificação:
Título e 1º verso: The flower that smiles today (flor – sorrir)
6º verso: Lightning, that mocks the night (relâmpago – zombar)
11º verso: For proud despair! (orgulho – desepero)
16º verso: Whilst flowers are gay (flores – felizes)
Símile:
7º verso: Brief even as bright.
Anáfora:
Versos 8, 9 e 10: repetição de how.
Virtue, how frail it is!
Friendship, how rare!
Love, how it sells poor bliss
Versos 15, 16, 17 e 19: repetição de whilst.
Whilst skies are blue and bright,
Whilst flowers are gay,
Whilst eyes that change ere night
Whilst yet the calm hours creep,
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The Cloud
I bring fresh showers for the thirsting flowers,
From the seas and the streams;
I bear light shade for the leaves when laid
In their noonday dreams.
From my wings are shaken the dews that waken
The sweet buds every one,
When rocked to rest on their mother's breast,
As she dances about the sun.
I wield the flail of the lashing hail,
And whiten the green plains under,
And then again I dissolve it in rain,
And laugh as I pass in thunder.--------------
I sift the snow on the mountains below,
And their great pines groan aghast;
And all the night 'tis my pillow white,
While I sleep in the arms of the blast.
Sublime on the towers of my skyey bowers,
Lightning, my pilot, sits;
In a cavern under is fettered the thunder,
It struggles and howls at fits;
Over earth and ocean, with gentle motion,
This pilot is guiding me,
Lured by the love of the genii that move
In the depths of the purple sea;
Over the rills, and the crags, and the hills,
Over the lakes and the plains,
Wherever he dream, under mountain or stream,
The Spirit he loves remains;
And I all the while bask in Heaven's blue smile,
Whilst he is dissolving in rains.----------
The sanguine Sunrise, with his meteor eyes,
And his burning plumes outspread,
Leaps on the back of my sailing rack,
When the morning star shines dead;
As on the jag of a mountain crag,
Which an earthquake rocks and swings,
An eagle alit one moment may sit
In the light of its golden wings.
And when Sunset may breathe, from the lit sea beneath,
Its ardors of rest and of love,
And the crimson pall of eve may fall
From the depth of Heaven above,
With wings folded I rest, on mine aery nest,
As still as a brooding dove.--------------
That orbed maiden with white fire laden,
Whom mortals call the Moon,
Glides glimmering o'er my fleece-like floor,
By the midnight breezes strewn;
And wherever the beat of her unseen feet,
Which only the angels hear,
May have broken the woof of my tent's thin roof,
The stars peep behind her and peer;
And I laugh to see them whirl and flee,
Like a swarm of golden bees,
When I widen the rent in my wind-built tent,
Till the calm rivers, lakes, and seas,
Like strips of the sky fallen through me on high,
Are each paved with the moon and these.---------------
I bind the Sun's throne with a burning zone,
And the Moon's with a girdle of pearl;
The volcanoes are dim, and the stars reel and swim
When the whirlwinds my banner unfurl.
From cape to cape, with a bridge-like shape,
Over a torrent sea,
Sunbeam-proof, I hang like a roof,--
The mountains its columns be.
The triumphal arch through which I march
With hurricane, fire, and snow,
When the Powers of the air are chained to my chair,
Is the million-colored bow;
The sphere-fire above its soft colors wove,
While the moist Earth was laughing below.--------------------
I am the daughter of Earth and Water,
And the nursling of the Sky;
I pass through the pores of the ocean and shores;
I change, but I cannot die.
For after the rain when with never a stain
The pavilion of Heaven is bare,
And the winds and sunbeams with their convex gleams
Build up the blue dome of air,
I silently laugh at my own cenotaph,
And out of the caverns of rain,
Like a child from the womb, like a ghost from the tomb,
I arise and unbuild it again.
estudo do poema
1. BREVE RESUMO
Nas seis estrofes de 12 e 18 linhas, o narrador em primeira pessoa de “The Cloud”, que é a própria nuvem, descreve suas várias formas e seu ciclo de vida. O poema começa com um “I” (“Eu”) e esta primeira pessoa se mantém “falante” o tempo todo. O poeta não apenas “se compara a uma nuvem” ou simplesmente se “personifica” através da imagem de uma nuvem, isto é, esta personificação não é meramente formal, o que produziria alegorias abstratas e sem vida, mas sim material e dinâmica, resultado de um profundo intercâmbio entre mente e natureza. Personficar material e dinamicamente é outrar-se: “despersonalizar o próprio eu” e personificar os “outros eus”; vale dizer: transcendender os limites da pequena subjetividade e outorgar “palavras de voz” a tudo que existe – de pessoas a pedras, da aragem do espírito ao sopro do vento. O fundamental a perceber é que o poeta fala do ponto de vista da nuvem, e não do ângulo fixo de sua mundividência estática, o que equivale a dizer que efetivamente é a nuvem que fala. O cosmos fala através do poeta, porque a linguagem poética assume o desempenho daquilo que exprime.
A primeira estrofe captura a extensão do “humor” da nuvem. Gentil, ela traz a chuva que nutre as flores na Terra e faz sombra para as folhas das árvores. Contudo, a nuvem também pode ser feroz, trazendo o granizo que empalidece o chão, e dar origem a tempestades. Serena novamente na segunda estrofe, a nuvem descreve como ela cobre de neve os picos das montanhas e dorme durante a tempestade. A nuvem, então, explica como é controlada pela eletricidade atmosférica (uma crença que era comum na época de Shelley, mas que já foi refutada). O poeta pinta a nuvem como um processo de carga elétrica positiva que interage com a carga negativa da Terra a fim de produzir a chuva, que pode ser tanto uma violenta tempestada ou a mais suave garoa. A atração entre estes dois tipos de eletricidade é representada como o amor.
Já que o ponto de vista assumido é o da nuvem, a terceira estrofe descreve um nascer-do-sol e um pôr-do-sol sob a perspectiva da própria nuvem. Ao nascer do dia, justamente quando Vênus – “a estrela da manhã” – torna-se invisível, os raios do sol rompem a massa de nuvens que são orientadas pelo vento; ao anoitecer, a nuvem descansa, com “asas entrelaçadas”, como “se estivesse aninhando seus filhotes”. Na quarta estrofe, a lua – “a donzela-orbital” – nasce com o crepúsculo e “movimenta-se suavemente” por sobre as nuvens que se assemelham ao chão por onde ela passa. O tipo de nuvem sugerida aqui é de nuvens arredondadas e cinzentas, um fino telhado que, às vezes, se rompe para revelar as estrelas. Para a nuvem, as estrelas são como um “enxame de abelhas douradas”. Quando a brisa sopra forte, as nuvens se rompem, e, com isso, o céu aparece, “como uma faixa...caída acima de mim”, até que o reflexo da lua e das estrelas possa ser visto nos rios, lagos e oceanos.
Na quinta estrofe, a nuvem torna-se quase imperceptível, uma nuvem alta que produz um arco luminoso, uma “zona incandescente” em torno do sol e uma “guirlanda de pérolas” em torno da lua, quando os dois astros brilham atrás dela. Então, a nuvem muda novamente e se torna uma leve figura no horizonte, uma nuvem meio acinzentada que “paira como em um telhado” e é “à prova dos raio solares”. A segunda parte desta estrofe descreve uma densa nuvem de chuva que marcha através do “multicolorido” arco-íris, deixando seu conteúdo sobre a Terra úmida.
A estrofe final é um resumo de toda a relação de co-operatividade e comunhão de todos os elementos apresentados. A nuvem explica sua relação com os elementos inanimados: é a “filha da Terra e da Água” e é acalentada pelo céu. No ciclo de vida da nuvem, suas partículas, em incessante circulação, passam através dos “poros dos oceanos e rios”. Apesar de mudar constantemente de forma, a nuvem nunca morre. Depois que a chuva chega e o céu fica mais claro, a nuvem ri de seu próprio “cenotáfio”, que é um monumento erguido em honra a alguém que foi enterrado em algum lugar. Outrossim, como uma criança emergindo do ventre, ela nasce e mais uma vez “descontrói-se” (“unbuilds”) em uma “cúpula azul de ar” (“blue dome of air”).
2. FORMA E SIGNIFICADOS
Cada estrofe é composta de vários quartetos que rimam como em uma balada – abcd. Há também uma esquema de rimas internas (“I bring fresh showers for the thirsting flowers”, por exemplo) na linha 1 e em cada linha ímpar (linha 3, linha 5 e assim por diante). O efeito deste consistente esquema de rimas é dar ao poema um sentido de ordem e coesão, já que a metrificação é constantemente variável, apesar de tratar-se o poema basicamente de “um iambico de pé anapéstico (duas sílabas curtas seguidas de uma sílada longa)”. Além disso, este efeito das rimas produzem um outro efeito (poético): percebe-se a imensa doçura que as rimas conferem ao todo, a sensação de harmonia e completude, o benefício físico e concreto que o poema outorga, de equilíbrio, alegria e paz. O poema é engenhosamente trabalhado e elaborado, e, no entanto, ele transmite a impressão de absoluta espontaneidade, de algo que nasce de si por si mesmo. É esta a chave do espírito romântico: o “casamento” do pensamento profundamente meditado e do transbordamento espontâneo de sentimentos intensos, ou seja, a tensão harmônica da imaginação entusiasmada e reflexiva. A beleza, a sonoridade e a harmonia das rimas internas produzem um fabuloso efeito de acordo íntimo que elas constroem. Para além de conclusões racionais, o poema volta-se para dentro de si mesmo e em seu núcleo descobre o princípio de sua própria vitalidade, dialogando com a sua própria semente. O poema prescinde de uma cuidadosa audição de seu estrato fônico, bem como de uma leitura sonhadora de suas imagens “verbi-voco-visuais”.
A propósito das imagens que Shelley constrói no poema, estas têm o efeito de reproduzir o movimento dinâmico que anima todos os seres que participam do dinamismo floral da vida: as flores são “sequiosas” (“thirsting”) e as folhas, preguiçosas no meio do dia, “sonham” (“dream”); botões de flores “acordam” (“waken”) depois de terem descansado na terra, como uma criança “no seio da mãe” (“on their mother’s breast”); a Terra não faz apenas o seu movimento de rotação em torno do sol, ela “dança” (“dances”); as árvores gemem (“groan”) com o vento; o trovão luta (“struggles”); a aurora é um “olho meteórico” (“meteor eyes”); o sol “rompe o negro” (“meteor eyes”) das nuvens; o pôr-do-sol “respira” (“breathes”); o movimento da lua é “a batida de um pé invisível” (“beat of unseen feet”); as estrelas “espiam” (“peep”) e “espreitam” (“peer”); o céu tem um “sorriso azul” (“blue smile”) e a Terra é representada como “risonha” (“laughing”) depois da tempestade. O efeito criado é o de um universo vivo com um sentimento e influências divinas, resquícios de algo de “Songs of Innocence”, de William Blake. A intensa mobilidade não cessa jamais, porque o verdadeiro móbil do universo é este Espírito do Amor que a tudo permeia e contagia.
Todas as imagens são coroadas pela metáfora de uma nuvem por ela mesma como risonha. A palavra “riso” ocorre 3 vezes neste contexto: na 1ª estrofe, a nuvem ri no meio de uma tempestade; na 4ª estrofe, novamente, ri com a visão de estrelas enquanto elas “rodopiam e fogem” (“whirl and flee”); e na última estrofe, a nuvem silenciosamente ri na presença de um céu claro e azul, que aparece como o próprio memorial para a sua própria morte. A nuvem ri porque ela sabe que tudo é ilusão. Esta imagem ocorre em qualquer obra de Shelley. Em “Prometheus Unbound” (1820), por exemplo, publicado no mesmo volume de “The Cloud”, o espírito da Terra é uma criança alada que, dormindo durante uma tempestade, é acordada, e seus lábios se movimentam, “durante a mudança de luz de seu próprio sorriso” (“amid the changing light of their own smiles”), um paralelo muito próximo ao da nuvem risonha.
Uma outra notável qualidade das imagens é que elas fazem poesia a partir de um processo científico. Shelley tinha um grande interesse por assuntos científicos e suas descrições acerca das variadas formas e mudanças de sua nuvem são cientificamente apuradas. Esta precisão refere-se a fenômenos de refração atmosférica, nos quais a atmosfera da Terra assume uma forma curvilínea diante da luz do sol em torno da Terra, como um arco convexo, visto sob a perspectiva da nuvem (o mesmo fenômeno pode ser côncavo se for visto da Terra).
Em um de seus primeiros poemas entitulado “Mutability”, Shelley usou as nuvens como símbolo de fugacidade e as relacionou à vida humana, que nunca é a mesma de um dia para o outro. Em “Prometheus Unbound”, a nuvem ganha um significado diferente como se fosse um símbolo da forma material humana, que é iluminada pela luz transcendente que brilha dentro dela. “The Cloud” constrói-se a partir desses dois significados e acrescenta um terceiro. Certamente a nuvem é transitória, mas fugacidade não é mais a última palavra: tudo no poema segue através de um ciclo de dissolução e renascimento; nada está perdido para sempre. Esta é a razão de a nuvem ser representada como risonha: ela sabe desta verdade e sua risada sugere que a essência da vida, sobre a qual repousa o tempo e até mesmo sua aparente escuridão e elementos distorcidos, é a felicidade. Esta felicidade é espalhada pelo mundo material através do poder do amor – uma outra crença que Shelley expressa com frequência, especialmente em “Prometheus Unbound”.
Na esteira deste pensamento, os inúmeros contrastes e a reversibilidade da vida e da morte, que pontuam o poema do início ao fim, são traduzidos em diversas oposições complementares: a calma e a tempestade (sleep/blast), o alto e o baixo (over/depths), o fogo e a água (bask/rains), a aurora e o crepúsculo (sunrise/sunset), o rubro do amor e o sangue do ocaso (ardours of love/crimson pall of eve – imagem dramática de forte impacto visual e emotivo), entre outras. Todas estas imagens se condensam no par conjugado “the child of the womb/the ghost of the tomb” – o nascer e o morrer – que materializam e dinamizam o constuir (“build”) e o desconstruir (“unbuild”), tornando compreensível o enlace do “riso” e do “cenotáfio”.
Estas imagens finais resumem, de maneira muito impactante, o movimento do poema, que mimetiza ativamente o ciclo vital. Shelley, Wordsworth, Coleridge e Keats figuram a mente perceptiva como ativa (e não passivamente receptiva), “co-laborando” na formação do mundo, no próprio ato de percebê-lo. A esse respeito, é interessante observar a engenhosa imagem ambivalente da “brooding dove”, a que se compara a nuvem, quando esta recolhe suas “asas” a fim de repousar em seu ninho celeste: “brood” significa “chocar”, tanto no sentido de garantir o desenvolvimento da progênie, quanto na acepção de remoer um pensamento profundamente meditado. Em ambos os casos, trata-se de “dar à luz”, simultaneamente num plano sensível e num plano inteligível. A mente perceptiva efetivamente parteja o mundo, porque o ‘criar poeticamente’ e o ‘pensar reflexivamente’ mutuamente se solicitam como as duas faces de um poetar pensante inesgotavelmente atuante. As imagens, portanto, têm mil dobras internas que não cessam de se desdobrar, fornecendo múltiplas camadas de sentido. É interessante notar ainda que “cenotáfio” é um monumento fúnebre que se ergue em memória de alguém, que, no entanto, não encerra o seu corpo, de tal modo que o corpo permanece sempre vivo: “I change, but I cannot not die”.
Assim sendo, a imagem da nuvem ao pôr-do-sol, repousando com as asas entrelaçadas em seu “ninho celeste”, é também algo significante. Torna-se evidente a alusão ao “Book I of Paradise Lost”, de John Milton, no qual o Espírito Santo é descrito na criação “como uma pomba que prepara seu ninho em um vasto abismo” (“Dove-like…brooding on the vast Abyss”). A imagem sugere que a nuvem também é uma metáfora para uma energia da criação, que, em qualquer dos trabalhos de Shelley, é vista como a representação de “Um absoluto” que arduamente manifesta seu poder através do mundo material. Este poder está geralmente escondido, como, por exemplo, em “Hymn to Intellectual Beauty”, mas é indestrutível – a dimensão eterna da existência que persiste imutável através de todo o ciclo do mundo material que segue. Neste sentido, a nuvem assemelha-se a uma cotovia em “To a Skylark”, um poema escrito por Shelley na mesma época em que ele escreveu “The cloud”. A cotovia canta a alegria; sua canção não vem dela mesmo, mas sim de uma fonte criativa não-manisfestada que, simplesmente, usa o pássaro como instrumento. Assim acontece com a nuvem. Todos estes significados combinados sugerem um mundo no qual a verdade é arduamente manifestada e alegremente percebida, um paraíso ainda não contaminado e livre da maldade disseminada no mundo pelos homens ignorantes, que, de forma errada, assumem a ilusão como realidade.
Agredecimento especial à professora de Teoria Literária (UFRJ) Maria Lúcia Guimaraens, que, com suas aulas sempre poeticamente inspiradas, inspirou o grupo a produzir os trabalhos apresentados nesta disciplina.
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The Keen Stars were Twinkling
(from poems to Jane)
The keen stars were twinkling
And the fair moon was rising among them,
Dear Jane:
The guitar was tinkling,
But the notes were not sweet till you sung them
Again.
As the moon's soft splendor
O'er the faint cold starlight of heaven
Is thrown,
So your voice most tender
To the strings without soul had then given
Its own.
The stars will awaken,
Though the moon sleep a full hour later,
Tonight;
No leaf will be shaken
Whilst the dews of your melody scatter
Delight.
Though the sound overpowers,
Sing again, with your dear voice revealing
A tone
Of some world far from ours
Where music and moonlight and feeling
Are one.
estudo do poema
(tradução livre do grupo)
As penetrantes estrelas estavam cintilando,
E a pálida lua nascendo entre elas,
Querida Jane!
O violão estava tinindo,
Mas as notas não eram doces até você cantá-las
Novamente.
Assim como o brando esplendor da lua
Pelo indistinto frio da luz das estrelas do céu
É lançado,
Então sua voz mais doce
Para os instrumentos de corda sem alma oferece
A sua própria (alma)
As estrelas acordarão,
Embora a lua tenha dormido mais uma hora,
Esta noite;
Nenhuma folha será sacudida
Enquanto o orvalho da sua melodia espalha
Encanto
Embora o som domine,
Cante novamente, com a sua querida voz revelando
Um tom
De algum lugar longe daqui
Onde a música, a luz do luar e o sentimento
São apenas um
ANÁLISE
O padrão de rimas do poema é alternado (abcabc/ defdef/ ghighi/ jkljkl). Além disso, é importante observar que a rima dos versos vinte e um e vinte e quatro são do tipo eye-rhyme, ou seja, quando as palavras apresentam a mesma escrita, mas a pronúncia é diferente. As estrofes apresentam um mesmo padrão estrutural, pois o primeiro e o quarto versos de cada estrofe possuem seis sílabas, o segundo e o quinto, dez e o terceiro e o sexto, apenas duas:
1 The/ keen/ stars/ were/ twin/kling,
2 And/ the/ fair/ moon/ was/ ri/sing/ a/mong/ them,
3 Dear/ Jane!
4 The/ gui/tar/ was/ tin/kling,
5 But/ the/ notes/ were/ not/ sweet/ till/ you/ sung/ them
6 A/gain.
7 As/ the/ moon's/ soft/ spleen/dour
8 O'/er/ the/ faint/ cold/ star/light/ of/ Hea/ven
9 Is/ thrown,
10 So/ your/ voice/ most/ ten/der
11 To/ the/ strings/ wi/thout/ soul/ had/ then/ gi/ven
12 Its/ own.
Enjambment, encavalgamento em português, é um processo em que o sentido de um verso só se completa no verso seguinte. Esse tipo de estrutura aparece durante quase todo o poema: do quinto verso para o sexto, do sétimo para o oitavo e desse para o nono, do décimo para o décimo primeiro e desse para o décimo segundo, do décimo quarto para o décimo quinto, do décimo sexto para o décimo sétimo e desse para o décimo oitavo. Na última estrofe esta estrutura acontece três vezes: do verso vinte para o vinte e um, do vinte e um para o vinte e dois e do vinte e três para o vinte e quatro.
Elementos inanimados como estrela e lua aparecem neste poema de maneira personificada: “the stars will awaken” e “the moon sleep”. Como se sabe, acordar e dormir são hábitos humanos. Além da personificação, há outra figura de linguagem neste poema:a inversão, presente nos versos dez, onde e doze. A ordem canônica destes três versos seria: Your voice most tender had then given its own (soul) to the strings without soul”. A repetição da palavra “and” no penúltimo verso do poema proporciona musicalidade a ele.
Percy Bysshe Shelley escreveu alguns poemas para sua amiga Jane. No terceiro, no décimo sétimo e no décimo oitavo versos deste poema, o speaker fala diretamente com ela através de um monógolo (dramatic monologue): “Dear jane!” e “Whilst the dews of your melody scatter/ Delight.”Pode-se perceber através do poema que o speaker tem uma relação de carinho com Jane, a suave voz dela, oferece a ele a sensação de estar em um mundo ideal e feliz.
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continua
(segunda leitura)
estudo do poema
Jane Williams, a quem o poema é endereçado, era uma cantora, esposa de um grande amigo de Shelly: Edward Williams.
Os três conheceram-se quando Shelley morava em Pisa e formou um grupo de discussão com amigos intelectuais, dentre eles o poeta inglês romântico Lord Byron. Lá, Shelley teve um flerte com Jane, mas nunca houve nada confirmado entre os dois.
No poema de Shelley, há três elementos fundamentais a serem observados: amor, música e natureza.
O poeta exprime seus sentimentos por Jane de uma maneira simples e explícita, ele fala a respeito de como vê Jane no verso 3, por exemplo: “Querida Jane!”. Além disso, toda a ambiência do poema é à noite, cenário frequente na imaginação romântica, e a presença da Lua e das estrelas é fundamental para o poema. Elas criam um ambiente agradável e ao mesmo tempo misterioso, o que é típico do Romantismo. Há também a música ao longo do poema, o que demonstra a paixão dos românticos por ela, a qual seria um signo puro, sem acordos sociais para a definir. A música seria, então, a forma mais eficaz de expressar o inexprimível, pois cada um pode ter a liberdade de interpretá-la e absorvê-la como quiser. A música está representada no violão que soa e que é avivado pela voz de Jane.
Não somente há esses três elementos, como também uma união entre eles. Os últimos versos demonstram que eles devem ser um, semelhantemente à ideia de Wordsworth, peta romântico inglês, de que o Homem e a Natureza devem ser Um.
Trata-se de um poema repleto de conceitos românticos e extremamente rico, mas igualmente simples e sem formas rebuscadas. Cabe ainda destacar a importância dada às palavras que se encontram sozinhas em alguns versos. O poeta quis chamar a atenção do leitor para elas, portanto, uma leitura atenta, pausada e em voz alta é fundamental para um melhor aproveitamento de um poema tão expressivo.
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ensaios estudados
On Life
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estudo 1 do ensaio On Life
“On life” é um dos panfletos anti-religiosos escrito por Shelley dentre um conjunto de 5 panfletos: “On Christianity”, “The necessity of atheism” (o qual resultou em sua expulsão de Oxford), “On life”, “On a future state” e “A refutation of Deism”. A base deste panfleto de Shelley é o questionamento sobre a religião, que ele chama no texto de “popular philosophy”.
Para ele, Deus nada mais é do que uma projeção dos atributos humanos. No texto ele faz esta afirmação através de uma comparação entre um artista e sua obra. Se uma pessoa fosse capaz de conceber o céu, o Universo, a Terra e tudo o que há, seria digno de toda a admiração. Entretanto, como um filósofo da época, ele acredita que nada existe, mas pode ser percebido, logo, Deus não existe.
A vida é o tema central do texto, assim como aparece no título. Por ter a vida como tema central, o autor começa o texto fazendo questionamentos sobre a vida, o que é a vida, onde ela começa e termina e várias outras perguntas pertinentes aos seres humanos. Esses questionamentos mostram como o ser humano tem aspirações mais profundas do que a filosofia popular aponta, não podendo assim saciá-lo. A falta de saciedade na filosofia popular consequentemente leva o autor a pensar no materialismo, mas ao pensar no materialismo Shelley percebe que o materialismo é tão raso quanto à religião e só é sedutor para jovens e mentes superficiais.
A saída que resta para a superficialidade é a filosofia. A filosofia pura não apresenta a verdade, mas apresenta uma visão sobre a própria natureza humana e ela só é achada na criança. Na visão de Shelley e vários filósofos, a criança tem a capacidade de apreender sentimentos e sensações que um adulto não consegue mais. No ensaio, Shelley convida o leitor a relembrar os sentimentos e sensações da infância para que ele deixe de ser um agente mecânico de ações cotidianas e assim ter uma melhor distinção das coisas e apreender coisas da vida. A filosofia assim como a poesia são as únicas manifestações que conseguem alcançar a profundidade da alma humana. A poesia condensa os sentimentos e sensações, a filosofia expande e teoriza.
O autor termina o texto pedindo um julgamento imparcial sobre a filosofia popular, acreditando que se esse julgamento acontecesse, as pessoas mudariam a visão sobre a filosofia popular, que ele acha tão insatisfatória.
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estudo 2 do ensaio On Life
Com uma forte veia filosófica, Shelley vai filosofar nesse texto sobre a vida. Desde o primeiro parágrafo, ele tenta estabelecer o quão grandiosa e maravilhosa a vida é. A primeira frase do texto é “Life and the world, or whatever we call that which we are and feel, is an astonishing thing.” No primeiro parágrafo, o autor fala ainda da vida como algo milagroso e demonstra sua admiração através de perguntas relacionadas aos elementos da natureza, como por exemplo, “What is the universe of stars and suns...?”.
No segundo parágrafo, há ainda uma grande ênfase nos elementos da natureza, como montanhas, mares, rios. Cabe ressaltar também que o autor diz que, caso não conhecêssemos o mundo e víssemos um artista pintá-lo, nossa admiração seria tamanha. Entretanto, as pessoas não costumam dar muita importância à vida, crítica observada na passagem “The multitude of men care not for them”.
Já no terceiro parágrafo, o autor começa falando que, com o tempo, vamos perdendo a compreensão do que seria a vida, graças a nossa falta de tempo de observar o que temos ao redor. Ele focaliza ainda na impotência das palavras diante da riqueza do mundo. Ou seja, o mundo seria tão magnífico para ele, que as palavras não seriam capazes de expressar tamanha grandiosidade. Tais afirmações podem ser constatadas na seguinte passagem: “..we live on, and in living we lose the apprehension of life. How vain is to think that words can penetrate the mystery of our being!”. No final do parágrafo em questão, o autor estabelece alguns questionamentos sobre o que seria a vida, a morte, de onde viemos, para onde vamos.
No quarto parágrafo, o autor diz-se adepto de um pensamento filosófico. Este estabelece que as coisas só existem quando podem ser percebidas. Isto é, as pessoas não percebem o que está ao seu redor e, como consequência, não conseguem valorizar o que a vida tem de maravilhoso.
No quinto parágrafo, percebe-se uma crítica ao materialismo. O mesmo é visto como algo que seduz os jovens e os fúteis (6ª e 7ª linhas). Assim sendo, as pessoas não prestam atenção às belezas do mundo, visto que as mesmas não são palpáveis, perceptíveis.
Após algumas considerações nos parágrafos seguintes, o autor começa o nono parágrafo valorizando a infância, o que pode ser considerado como uma característica geralmente romântica. O autor diz ainda que quando crianças, as pessoas valorizam mais a vida porque não fazem distinção entre as coisas que veem e sentem deles mesmos. Por outro lado, na fase adulta, as pessoas passam a agir sem refletir e sem sentir o que há ao redor (“As men grow up this power commonly decays, and they become mechanical and habitual agents”).
No último parágrafo, o autor diz que não existe uma separação entre as pessoas. O “eu”, o “tu” e o “eles” são meras distinções linguísticas; o mundo é uma coisa só. A vida é tão grandiosa exatamente porque ela é um conjunto do qual todos fazemos parte e por isso não podemos compreender sua grandiosidade. Há ainda uma crítica à religião, já que o autor era ateísta. O mesmo diz que gerações e gerações vem procurando respostas para o mistério da vida na religião. Por não conseguirem explicar, atribuem o mistério a algo superior e inexplicável. Isto é, ao atribuírem respostas à religião, estas pessoas estariam fugindo da realidade da vida; elas deveriam buscar a resposta nesse mundo em que vivemos e não em fatores sobrenaturais.
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