os Poetas>> Samuel Taylor Coleridge
os Poetas
Keats é o sexto da seção Os Poetas.
John KEATS
(1795-1821)
biografias
versão 1
-John Keats nasceu em Londres em 31 de outubro de 1795.
- Em 1817 Keats publicou Poems (Poemas), de concepção ultra-romântica, mas que já prenunciava seu caminho futuro.
- Em 1818 concebeu Endymion com base em leituras mitológicas.
- Entre 1818 e 1819, concentrou-se em um poema chamado Hyperion, que ficou inacabado.
-Keats morreu em 23 de fevereiro de 1821, contaminado pela tuberculose de seu irmão Tom Keats.
versão 2
John Keats nasceu no dia 31 de outubro de 1795, em Moorgate, Londres.
Keats perdeu seus pais quando era ainda criança, e foi criado por Richard Abbey.
Aos 20 anos de idade, ele estudou medicina, mas decidiu parar para se dedicar à literatura.
Em 1816, Keats publicou seu primeiro soneto: “On first looking into Chapman’s Homer”.
Em 1818, “Endymion”, seu livro mais famoso, foi publicado.
Depois que seu irmão morreu de tuberculose, ele se mudou para casa de seu amigo Brown, onde conheceu Fanny Browne, sua amada.
Em 1820, Keats começou a apresentar sérios sinais de tuberculose; então ele se mudou para Itália, onde o clima era mais favorável a sua cura.
Na Itália, Keats teve muito contato com Shelley. Os dois poetas se tornaram amigos.
Dizem que a saúde de Keats ainda ficou mais frágil após a publicação de um artigo de John Wilson Croker, no qual ele criticava o poema “Endymion”.
Keats morreu no dia 23 de fevereiro de 1821, aos 25 anos de idade; e foi enterrado no Cemitério Protestante, em Roma.
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poemas estudados
Why did I laugh tonight?
No voice will tell
Why did I laugh tonight? No voice will tell
No god, no demon of severe response,
Deigns to reply from heaven or from hell.
Then to my human heart I turn at once––
Heart! thou and I are here sad and alone;
Say, wherefore did I laugh? O mortal pain!
O darkness! darkness! ever must I moan,
To question heaven and hell and heart in vain!
Why did I laugh? I know this being’s lease––
My fancy to its utmost blisses spread:
Yet could I on this very midnight cease,
And the world’s gaudy ensigns see in shreds.
Verse, fame, and beauty are intense indeed,
But death intenser––death is life’s high meed.
estudo 1 do poema
O poema analisado é distribuido em catorze versos decassílabos, seguindo um esquema de rima ABAB CDCD EFEF GG e um padrão de cinco batidas (iambic pentameter), com rimas verdadeiras em todos os versos. Apesar destas características, não podemos classificá-lo como um soneto shakespeariano devido ao fato de não haver aparentes divisões estróficas.
Trata-se de um poema sobre a morte e a decadência, temas altamente trabalhados pelos poetas românticos. John Keats retrata o drama humano, a visão do mundo centrada no próprio indivíduo, em seus conflitos internos e ao mesmo tempo contemplando algo externo ao poeta, algo comum a todos os seres humanos neste caso, a morte.
Contudo, o tratamento dado ao tema da morte neste poema não parece se assemelhar ao típico escapismo romântico, à fuga da realidade, mas a algo semelhante à iluminação pessoal, esclarecimento, como se o locutor entendesse o ato de morrer, suas consequências e seus propósitos. Podemos, inclusive, traçar um paralelo com o momento em que o poema foi escrito, ou seja, março de 1819, apenas dois anos antes da morte de Keats, exato momento em que o poeta já demonstrava alguns dos sintomas da tuberculose que viria a cessar seu viver. Podemos alegar, baseando-nos em meras suposições e interpretações, que o poeta estaria, de certa forma, transferindo tudo aquilo que se passava em sua mente para seu fazer poético. Podemos reforçar esta suposição ao atentarmos para o que o próprio poeta conclui logo após tossir sangue pela primeira vez, no dia 3 de fevereiro de 1820: I cannot be deceived in that colour; that drop of blood is my death warrant. I must die. Mesmo que esta conclusão tenha sido feita em um momento posterior à criação do poema em questão, podemos perceber que o poeta tivera, em sua vida, uma certa elucidação quanto à possibilidade de deixar este mundo.
O poema apresenta o questionamento da sanidade do locutor, que tenta descobrir o porquê de sua felicidade, de seu otimismo diante da situação em que se encontra, alegando, nos primeiros três versos, que ninguém pode explicar; diz que nem mesmo um deus ou um demônio digna-se a responder dos céus ou do inferno, talvez pretendendo reforçar a ideia de que nenhuma religião poderia dizer ao certo. Notamos nesta passagem o uso anafórico da palavra no, justamente enfatizando esta certeza quanto ao dilema sem resposta: no voice will tell / No god, no demon of severe response.
Em seguida, no quinto verso, o locutor faz uma evocação de seu coração, ou seja, uma apóstrofe – ele recorre ao coração, personificado, e pergunta novamente: por que eu ri? A indagação é seguida de seus lamentos, menções à dor mortal, à escuridão que assola sua mente. Entretanto, o locutor afirma que este lamento, este questionamento aos céus, ao inferno e ao coração não levará a nada, será para sempre em vão. Percebemos claramente a adoção de um tom cortante em suas palavras, no oitavo verso, para evidenciar esta intenção: To question heaven and hell and heart in vain. O uso desta aliteração produz em conjunto com o uso duplo da conjunção and uma leitura veloz e enfática.
Por fim, chegamos à parte do poema em que o locutor, após indagar-se novamente, explica o motivo de seu júbilo: ele compreende que este ser, este corpo que sua alma temporariamente ocupa é um arrendamento, algo alugado e, então, desvenda o mistério, argumentando que sua imaginação, seu pensamento se estende às mais longínquas felicidades, a algo que não é terreno, mesmo que ele pudesse, nesta mesma noite, cessar de existir, morrer e assistir ao retalhamento da “bandeira” do mundo. Keats faz um uso catafórico de uma metáfora, visto que, a nosso ver, a construção world’s gaudy ensigns, no décimo segundo verso, refere-se a tudo o que é defendido pelo mundo, pela sociedade, ou seja, a poesia, a fama e a beleza, conforme é apontado no décimo terceiro verso. A importância desta passagem está no fato de o autor afirmar implicitamente que estes ideais mundanos não seriam de grande valor após a sua morte, que tudo estaria perdido no momento em que desencarnasse. Infere, então, que estes símbolos, estes emblemas do mundo são, de fato, intensos para o locutor, mas a morte é mais intensa ainda, é a maior recompensa da vida – o propósito da vida é viver e estar pronto para morrer.
Finalmente, atentamos para a carta enviada por Keats a seu irmão George e sua cunhada Georgiana, em que relata a experiência de escrever este poema, reforçando nossa interpretação do poema. Podemos entender, através desta carta, o enorme conflito passional, mental e sentimental intrínseco ao locutor, que conturba sua existência e o leva a questionar sua sanidade. Todavia, o locutor mantém seu esclarecimento diante do tema da morte – ele dorme são e acorda são.
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estudo 2 do poema
O poema “Why did I laugh tonight? No voice will tell” foi escrito por John Keats em Março de 1819, três meses após a morte de seu irmão, causada pela tuberculose. A mãe de Keats havia morrido pelo mesmo motivo e o poeta já apresentava, nesta época, sintomas da doença que viria a acometê-lo algum tempo depois. Pode-se, portanto, imaginar que o caráter triste e melancólico do poema pode ser atribuído às dificuldades enfrentadas pelo poeta na ocasião: o ano de 1818 havia sido particularmente problemático em sua vida.
O poema pode ser dividido em dois momentos: o primeiro é composto pelos dois primeiros quartetos, que expressam o desespero do eu - lírico ao questionar seu próprio riso (“Why did I laugh?”). Logo no início do poema, o eu - lírico afirma que “nem Deus nem o demônio se dignariam a responder a pergunta” (versos 2 e 3). Diante da não-resposta do céu ou do inferno, o eu - lírico se volta para o próprio coração, novamente fazendo a mesma indagação, desta vez com mais expressões de dor e sofrimento, tais como “O mortal pain!” (verso 6) e “O darkness!” (verso 7). Desta forma, o eu - lírico encerra o primeiro momento do poema (verso 8), concluindo que “para sempre se lamentará de ter questionado o céu, o inferno e o coração em vão.”
No segundo momento do poema, observa-se uma tentativa de explicação do eu-lírico para suas indagações. No verso 9, há a afirmação de que, assim como o riso, a vida é temporária. O speaker manifesta seu gosto pelos prazeres da vida (verso 10), mas reitera que estes poderiam ser encerrados logo que se fala: “Yet could I on this very midnight cease “ (verso 11).Já no verso 12 do poema, há uma metáfora para o que seria a beleza e o sentido da vida e do mundo: “and the world’s gaudy ensigns see in shreds”. Novamente, pode-se depreender do verso a idéia de que a finitude da vida o levaria a ver tudo “em farrapos”: já que ele haveria de morrer, tudo haveria de se deteriorar.
Para finalizar, o eu - lírico conclui que, apesar de as coisas boas da vida (expressadas no verso 13: “verse, fame and beauty”) serem intensas, a morte é ainda mais intensa. Ora, mais uma vez isto se relaciona com a efemeridade das coisas mundanas: todas passarão; são finitas. Já a morte é cruel e inevitável. Esse sentimento de que todas as coisas que o eu-lírico tanto aprecia não durarão para sempre é o que parece não permitir que ele aproveite plenamente a vida, a qual passa a ser uma tortura por si só. Talvez por isso suas palavras finais no poema sejam “death is life’s high meed” (verso 14), explicitando que a morte é a “recompensa” da vida. É como se a morte fosse uma libertação de todo o seu sofrimento, o que é uma característica marcadamente romântica.
No que tange à forma do poema, este possui 14 versos de exatamente 10 sílabas métricas cada um. Não fosse a não-divisão de versos, o poema seria um perfeito soneto shakespeariano. Quanto a figuras de linguagem, há personificações do céu, inferno e coração, pois o speaker se dirige a estes como se fossem entidades capazes de respondê-lo. Há também uma metáfora no verso 12 para “the world’s gaudy ensigns”, já que o mundo não possui, literalmente, um emblema ou bandeira. Há também o paradoxo da idéia do riso, que é a idéia central do poema, em oposição à tristeza e solidão experienciadas pelo eu - lírico (verso 5).
Na nota de rodapé é dito que o poema em questão foi escrito por Keats numa carta enviada a seu irmão. Na carta, ele diz ter escrito com a mente, e não com o coração. Ou seja, admite ter pensado cautelosamente durante a feitura do poema, em oposição à idéia romântica de que o poema é uma inspiração súbita que deve ser posta no papel com urgência e paixão. Keats diz também que após ter escrito a carta, dormiu um sono profundo e ininterrupto; portanto, pode-se crer que o poema foi uma espécie de desabafo para o poeta.
O poema em questão foi escolhido pelo grupo por demonstrar o sentimento de tristeza experienciado por Keats no período de 1818 e 1819. Além disso, o próprio paradoxo presente no poema é um retrato eficiente de uma de suas mais fortes características: a representação de qualquer experiência como um emaranhado de opostos inseparáveis, porém irreconciliáveis. Ele encontra melancolia e prazer na dor; ele sente que a mais intensa forma de amor é também uma aproximação com a morte; ele se inclina igualmente para uma vida de “sensações” como para uma de reflexões; ele parece ter consciência de dois mundos opostos: o da imaginação, perfeito, sem discordâncias e o mundo real; ele busca isolamento e, ao mesmo tempo, engajamento social. Sendo uma pessoa tão complexa e profunda, é justo que seus poemas tenham a mesma complexidade.
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La Belle Dame Sans Merci
1 O what can ail thee, knight at arms, [afligir, incomodar, doer]
2 Alone and palely loitering? [vagar]
3 The sedge has wither’ed from the lake, [planta que cresce em local úmido; ] [murchar]
4 And no birds sing.
5 O what can ail thee, knight at arms!
6 So haggard and so woe-begone? [extenuado, cansado, esgotado] [ triste, magoado]
7 The squirrel’s granary is full, [local onde o esquilo armazena grãos para passar o inverno]
8 And the harvest’s done.
9 I see a lily on thy brow [ref. a “fleur-de-lis”, flor de lis, símbolo nacional da França]
10 With anguish moist and fever dew, [úmido]
11 And on thy cheek a fading rose
12 Fast withereth too.
13 I met a lady in the meads, [pasto, prado]
14 Full beautiful, a fairy’s child;
15 Her hair was long, her foot was light,
16 And her eyes were wild.
17 I made a garland for her head,
18 And bracelets too, and fragrant zone;
19 She look’d at me as she did love,
20 And made sweet moan. [murmúrio, lamentação]
21 I set her on my pacing steed,
22 And nothing else saw all day long,
23 For sidelong would she bend, and sing [direcionado ou inclinado para um lado]
24 A fairy’s song.
25 She found me roots of relish sweet, [apreciação prazerosa de alguma coisa]
26 And honey wild, and manna* dew, [néctar que emana do caule de certas plantas]
27 And sure in language strange she said –
28 ‘I love thee true.’
29 She took me to her elfin grot, [gruta, caverna]
30 And there she wept, and sigh’d full sore, [suspirar]
31 And there I shut her wild wild eyes
32 With kisses four.
33 And there she lulled me asleep, [colocar para dormir ou descansar, ninar]
34 And there I dream’d – Ah! woe betide! [acometer]
35 The latest dream I ever dreamed
36 On the cold hill’s side.
37 I saw pale kings and princes too,
38 Pale warriors, death-pale were they all;
39 They cried –“La Belle Dame sans Merci
40 Hath thee in thrall!” [escravo, servo, cativo]
41 I saw their starv’d lips in the gloam,
42 With horrid warning gaped wide, [admirar boqueaberto, estupefato]
43 And I awoke and found me here,
44 On the cold hill’s side.
45 And this is why I sojourn here, [passar pouco tempo, residir temporariamente]
46 Alone and palely loitering,
47 Though the sedge has wither’d from the lake,
48 And no birds sing.
* chuva de alimento bíblico fornecido por Deus durante a fuga dos hebreu do Egito.
recitação(mp3- 2.5Mb) por Renato Icarahy (com agradecimentos!); produção do grupo 1, turma LEI
estudo do poema
O poema foi escrito em 1819, um dos anos de maior produtividade literária de Keats, apesar de estar doente e com problemas financeiros. O poema aparece numa carta que ele enviou ao seu irmão, George. Na época, Keats estava chateado porque o outro irmão dele, Tom, havia sofrido uma desilusão amorosa. Antes de escrever o poema, Keats havia tido um sonho onde ele encontrava uma bela mulher em um lugar mágico, porém cheio de amantes pálidos e escravizados. Ele também havia lido o Livro III da obra "Faerie Queene", de Edmund Spenser, onde uma das personagens principais, Florimell, é a representação da Beleza. Tudo isso serviu de inspiração para Keats escrever o poema.
"La Belle Dame sans Merci" significa "a bela dama sem misericórdia". O título do poema é, na verdade, o título de um poema do escritor francês do século XV, Alain Chartier. É provavel que Keats conhecesse uma versão supostamente traduzida por Chaucer.
O poema é uma literary ballad, inspirada nas folk ballads da época medieval. É possível observar várias características típicas de uma balada, como a centralização em um único evento (a história da dama relatada pelo cavaleiro), apresentação da história por meio de um diálogo (nas três primeiras estrofes, o narrador desconhecido está falando com o cavaleiro, e o resto do poema é a resposta do cavaleiro), uso de poucas figuras de linguagem como metáforas e metonímias, e criação de uma atmosfera (no início do poema, o narrador descreve a natureza como morta), e poucas informações sobre as personagens.
O esquema de rimas é ABCB.
Em relação à métrica, o poema segue mais ou menos o seguinte padrão:
- 3 primeiros versos: iambic tetrameter (os versos variam entre 8 e 9 sílabas)
- Último verso: iambic dimeter ou iambic trimeter (os versos variam entre 4 e 5 sílabas)
Figuras de linguagem: aliteração
- Linha 2 - "Alone and palely loitering"
- Linha 14 - "Full beautiful, a fairy's child"
- Linha 15 - "Her hair was long, her foot was light"
- Linha 21 - " I set her on my pacing steed"
- Linha 42: "I saw their starved lips in the gloam"
- Linha 46 - "Alone and palely loitering".
A interpretação mais comum é a de que um cavaleiro conhece a Belle Dame, se apaixona por ela (e o amor parece ser recíproco), ela o leva até a sua gruta, mas quando ele acorda, ela não está mais lá. Arrasado por ter sido desprezado por sua amada, ele vaga pelos campos e colinas geladas, e prestes a morrer de desilusão amorosa. O caráter destrutivo do amor sempre foi um tema recorrente nas baladas. O amor é representado como a razão para viver, e nesse poema, Keats mostra os extremos do amor, que pode ser algo maravilhoso como algo muito doloroso.
Vemos, através do sonho do cavaleiro, que La Belle Dame, é capaz de destruir os homens mais poderosos (reis, guerreiros, etc) e fazer deles seus escravos. O poder que ela tem sobre os homens ultrapassa os limites da morte, visto que os reis, príncipes e guerreiros continuam sofrendo mesmo após terem morrido, sugerindo que a dama faz parte do sobrenatural. Podemos relacionar isso ao que Karl Jung chamou de arquétipos: a sereia, as ninfas, as fadas etc., eram figuras femininas que, em qualquer cultura, seduziam os homens e os conduziam à morte. Isto significa que, de uma maneira ou de outra, elas simbolizam a própria morte através do encantamento por uma figura feminina. Keats retoma essa teoria de Jung no poema, usando a Belle Dame como representação feminina da morte pelo encantamento, como uma força que arrebata os homens e os leva para um lugar insólito.
A descrição da atmosfera no poema é de extrema importância para o entendimento do poema. O narrador descreve a natureza como morta, dizendo que os pássaros não cantam mais e que não há mais junco no lago. A partir das linhas 7 e 8, podemos ver que o poema se passa no outono, pois o narrador diz que o esquilo está com a sua toca cheia de grãos, preparado para o inverno que está vindo, e que a colheita já foi feita. Keats escolheu o outono por ser uma estação que simboliza a mudança. A alegria, geralmente simbolizada pelo verão, já se foi, assim como a felicidade do cavaleiro. Ao acordar do seu sonho, ele vê que está sozinho e fica arrasado. Por isso, vaga pelos campos sozinho e inconformado.
A descrição da natureza morta espelha a condição física do cavaleiro. Sua aparência, descrita nas linhas 2 e 46, é reforçada a partir de duas metáforas ligadas à natureza. O lírio sugere a aparência pálida do cavaleiro, e também é um símbolo da morte, então Keats poderia estar sugerindo que o cavaleiro está à beira da morte (ou já morto). A"fading rose" também reforça a idéia de que suas bochechas já não são mais rosada, e estão pálidas. Keats talvez estivesse refletindo a sua própria condição física, visto que estava bastante debilitado devido à tuberculose.
A morte (ou não) do cavaleiro é apenas uma das perguntas que Keats deixa no ar no final do poema. Alguns teóricos relacionam isso também ao estado físico de Keats, que estava à beira da morte e se referia ao presente como a "existência póstuma". Na situação em que se encontrava, Keats já se imaginava morto, pois o sofrimento em vida era muito maior. No final do poema, o cavaleiro diz: "And this is why I sojourn here", que dá a idéia de que ele acabou de morrer e não sabe direito onde está.
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Ode on Melancholy
No, no, go not to Lethe, neither twist
Wolf's-bane, tight-rooted, for its poisonous wine;
Nor suffer thy pale forehead to be kissed
By nightshade, ruby grape of Proserpine;
Make not your rosary of yew-berries,
Nor let the beetle nor the death-moth be
Your mournful Psyche, nor the downy owl
A partner in your sorrow's mysteries;
For shade to shade will come too drowsily,
And drown the wakeful anguish of the soul.
But when the melancholy fit shall fall
Sudden from heaven like a weeping cloud,
That fosters the droop-headed flowers all,
And hides the green hill in an April shroud;
Then glut thy sorrow on a morning rose,
Or on the rainbow of the salt sand-wave,
Or on the wealth of globed peonies;
Or if thy mistress some rich anger shows,
Imprison her soft hand, and let her rave,
And feed deep, deep upon her peerless eyes.
She dwells with Beauty -Beauty that must die;
And Joy, whose hand is ever at his lips
Bidding adieu; and aching Pleasure nigh,
Turning to poison while the bee-mouth sips:
Ay, in the very temple of Delight
Veiled Melancholy has her sovran shrine,
Though seen of none save him whose strenuous tongue
Can burst Joy's grape against his palate fine:
His soul shall taste the sadness of her might,
And be among her cloudy trophies hung.
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estudo 1 do poema
1) Forma
ODE
Tradicionalmente, a ode é longa e possui grande elaboração de suas estrofes, principalmente em seu estilo e na escolha das palavras, além de temas reflexivos.
ODE ON MELANCHOLY
Versificação: ABABCDECDE – 1ST STANZA
FGFGHIJHIJ – 2ND STANZA
KLKLMNOMNO – 3RD STANZA (ATENÇÃO A INVERSÃO)
Enjambment: Linha 1 p/2 – Linha 3 p/ 4 – Linha 6 p/ 7
Linha 11 p/ 12 – Linha 13 p/ 14
Linha 25 p/26 – Linha 29 p/ 30
É possível localizar em alguns versos a batida do poema: Iambic Pentameter.
Assonância e Aliteração: Linha 20
“And feed deep, deep upon her peerless eyes”
Sinestesia: Linha 29
“His soul shall taste the sadness of her might”
Personificação: As mãos da felicidade (linha 22)
Soberano relicário da melancolia (linha 26)
Antítese: Linha 23
“aching Pleasure”
Anáfora na 2nd satanza
2) Temática
N a primeira estrofe, o eu - lírico se baseia em construções negativas para dar força ao seu argumento: que não se deve ir beber as águas do rio Lethe e esquecer-se de seus sofrimentos.
OBS: Prosperine é filha de Demeter, deusa da fertilidade na Grécia Antiga, e quando Prosperine é raptada para o submundo, a terra sofre com a infertilidade que Demeter a impõe. Prosperine volta então para o laço maternal, porém somente por um período do ano, já que o outro ela deve ficar no submundo onde é rainha. Já pela a presença da cultura grega percebe-se a imagem dual: a fertilidade e a infertilidade; a vida e a morte.
Na segunda estrofe, o eu – lírico argumenta que é necessário combater as tristezas, e não esquecê-las, através do mundo a nossa volta. Isto é, perceber as belezas da natureza, como o arco-íris, a beleza da mulher amada.
OBS: Utilização de elementos paradoxais: símbolos negativos contrastando com símbolos positivos.
Na terceira estrofe, o eu – lírico chega à conclusão que não há meios de fugir da melancolia/tristeza, pois por mais que nos encantemos com a beleza do arco-íris, com as flores, com a beleza da mulher amada estas belezas são efêmeras e assim ficaríamos novamente melancólicos/tristes. Sugere então que encontremos o equilíbrio entre a melancolia e a alegria. (Joy and Melancholy)
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estudo 2 do poema
Uma “ode” é uma poema de celebração ou louvor. Em “ode to melancholy” ou “ode a melancolia” John Keats louva a melancolia e ao invés de classificá-la simplesmente como um sentimento negativo, mostra que se deve saber experimentá-la afinal, na opinião dele, o equilíbrio entre os extremos é a chave para o ideal e que para experimentar a felicidade plena, deve-se saber experimentar a tristeza plena.
O poema é muito bem estruturado, todas as 3 estrofes contém 10 versos e seguem o mesmo esquema rítmico. O poeta também as ordenou dentro de uma certa progressão que fica mais evidente se analisarmos separadamente.
Na primeira estrofe, o poema já começa com palavras negativas “no”, “not”, o poeta utiliza dessas palavras para enfatizar que aqui ele está dizendo o que não fazer quando nos encontramos numa situação melancólica, diz para não deixarmos esse sentimento simplesmente de lado e nem levarmos ao extremo, o autor cita alguns símbolos venenosos e fúnebres , o que nos faz pensar que talvez ele esteja se referindo ao ato de cometer suicídio, mas não é comprovado que seja a isso que ele esteja se referindo.
A segunda estrofe já começa com uma contradição, a palavra “but” que mostra que aqui o autor diz justamente o que devemos fazer quando nos sentimos melancólicos. Keats descreve algumas circunstâncias físicas e emocionais e talvez seja a sua maneira de trazer o leitor mais perto do poema, de fazê-lo sentir o mesmo que o autor está querendo passar ao invés de ser mais direto. O autor cita o mês de abril, mês da primavera no lugar onde vivia, estação do ano que representa uma renovação da natureza e fala bastante de elementos da natureza como as flores. Ele aconselha o leitor a observar a beleza desses elementos e o mais interessante é que ele apenas se refere a elementos que tem uma beleza temporária, achamos que está implícito que justamente o fato dessa beleza não durar muito faz desses elementos mais preciosos. E que a experiência da melancolia também e bonita e transitória.
Já na terceira estrofe o autor conclui que a beleza é sempre efêmera. Que alegria é passageira, mas esse são os momentos mais intensos. Para Keats, não devemos evitar a melancolia, a alegria e a dor estão ligadas entre si e devemos buscar o equilíbrio entre esses extremos, pois as coisas opostas são inseparáveis, o importante é sabermos explorar a intensidade das emoções.
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cartas estudadas
estudo de duas cartas
para ler as duas cartas
As Cartas de John Keats
As cartas de John Keats são tão importantes quanto a sua poesia. Através dela podemos entender sua vida, sua escrita, e podemos conhecer seu pensamento.
Essas cartas demonstram uma inteligência extraordinária. E apesar de toda essa inteligência, elas não têm nada de acadêmico ou filosófico.
Outro fato importante é que a reputação de Keats como poeta do puro luxo, poeta das sensações, e poeta da arte pela arte mudou radicalmente quando os críticos do século XX começaram a prestar mais atenção nas suas cartas.
Por causa delas, Keats passou a ser comparado aos Metaphysical Poets, poetas que usavam brilhantemente o intelecto em suas poesias. Assim como John Donne, Keats não olhava apenas para o coração, mas olhava literalmente para o cérebro, para o sistema nervoso, e até para o sistema digestivo.
Muitos dos comentários descontraídos sobre o poeta e sobre a poesia que Keats fazia em suas cartas se tornaram ponto de referência para a teoria estética, principalmente os seus comentários sobre empatia e aptidão negativa. Porém,ele próprio não considerava as coisa que ele dizia como verdades absolutas. Para ele, ele estava apenas tentando explorar algo que ele considerava um mistério. Diante disso, suas cartas foram editadas, e essas edições reproduzem precisamente a versão original; assim o leitor pode acompanhar todos os erros de ortografia e gramática, visto que tais edições se esforçam para manter o andamento do seu pensamento.
Seguem-se abaixo resumos de duas de suas cartas.
1. Para John Taylor
[Hampstead, 27 de Fevereiro de 1818]
John Taylor era um parceiro da editora F Taylor and Hessey. Kdats escreveu esta carta para ele enquanto Endymimn estava sendo impresso.
Ele inicia a carta elogiando a Taylor pelos ajustes que fez nas páginas, e em seguida diz que lamenta o fato de as pessoas terem que superar preconceitos ao lerem seus versos. Ele diz que isso o afeta mais que qualquer hipercrtica de alguma de suas passagens.
Nesta carta Keats fala sobre algunc princípios que ele considera ser verdade acerca da poesia, e diz que está longe de alcançá-los. Ele diz que a poesia deve surpreender pelo seu excesso delicado e não pela sua singularidade. Para ele, a poesia deve impressionar o leitor por ser um texto sobre seus próprios pensamentos; ela deve parecer quase uma lembrança. Além disso, seu toque de beleza nunca deve ser dado pela metade para não deixar o leitor sem fôlego ao invés de contente. A ascensão, o progresso, e a armação de imagens devem parecer tão naturais quanto o sol. A poesia deve colocar-se sobriamente, mas sem deixar de magnífica. Contudo, ele confessa que é mais fácil pensar sobre como deve ser a poesia do que escrever uma poesia.
Keats termina dizendo que se Endymion for um sucesso ele vai se sentir feliz, porque isso quer dizer que ele consegue ler e entender Shakespeare na sua profundidade. Porém se ele falhar e sua vida ou temperamento mudarem, ele sabe que tem amigos que atribuirão essa mudança à uma humildade não à um orgulho, e dirão que isso é típico dos grandes poetas.
Ele conclui dizendo que está ansioso para ter Endymion impresso, e assim esquecer esses pensamentos e prosseguir.
2. Para John Hamilton Reynolds
[ Teignmouth, 3 de Maio]
John Hamilton era um amigo íntimo de Keats, e nessa época trabalhava como escrevente, além de ser poeta e um homem das letras.
Nesta carta Keats diz que se tivesse que estudar Física ou Medicina novamente, isso não mudaria nem um pouco a sua poesia. Ele diz que quando a mente está no seu estágio de infância o preconceito realmente é preconceito, mas quando nós adquirimos mais força o preconceito deixa de ser preconceito.
Para ele, cada pedaço de conhecimento é algo excelente e é juntado a outro para formar um todo. E ele está tão certo disso que se sente feliz por não ter se desfeito dos seus livros de medicina, pois assim ele pode olhá-los novamente e manter vivo o pouco que ele sabe sobre o assunto.
Keats diz que há uma diferença entre ter altas sensações sem o conhecimento e ter alta sensações com o conhecimento. Altas sensações sem o conhecimento são como se estivéssemos caindo sem parar em um lugar extremamente fundo e após a queda fossemos elevados ao alto novamente sem asas e completamente aterrorizados; enquanto que altas sensações com o com o conhecimento são como se após essa queda nossos ombros criassem asas e nós subíssemos voando sem medo algum.
Ele termina dizendo que Milton é o padrão do valor poético e é usando Milton que se pode medir a poética de Wordsworth. Ele se questiona se a poça preocupação de Milton com a humanidade se deve ao fato de ele ter enxergado mais além ou não que Wordsworth, e se Wordsworth tinha de fato uma paixão épica.
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retrato de
KEATS

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• Keats: Poems Published in 1820:
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