os Poetas>> Samuel Taylor Coleridge
os Poetas
Coleridge é o terceiro da seção Os Poetas.
Samuel Taylor COLERIDGE
(1772-1834)
biografia
(grupo 1, turma LEI-, 2009-II)
Coleridge nasceu em Ottery St Mary, no condado inglês de Devonshire. Ele era o filho mais novo do segundo casamento do pastor protestante John Coleridge. Seu pai morreu em 1771 então Coleridge foi, contra sua vontade, estudar em colégios religiosos em Londres. Ele se destacava dentre os outros alunos pois era muito inteligente. Contudo, se sentia muito solitário e não tinha muito contato com a sua família. Desse modo, escreveu posteriormente o poema “Frost at Midnight”; este poema fala de sua situação nesse período.
Em 1790 seu irmão Luke morre e um ano depois sua irmã Ann. Esses fatos fazem com que ele escreva “Monody” e é durante esse período também que ele começa a ter problemas com álcool e mulheres. Posteriormente, começa a fazer uso de ópio; droga que usava para aliviar as dores dos problemas de saúde. No ano de 1791 entra para Universidade de Cambridge e em 1792 ganhou um prêmio por uma ode que falava sobre o tráfico de escravos.
Em 1793 ele se alista no exército usando um nome falso mas, devido a sua inaptidão com os deveres do exército, não foi enviado para lutar na França. Depois de quatro meses um de seus irmãos conseguiu que ele saísse do exército alegando insanidade. Enquanto estava na universidade, a qual nunca concluiu, Coleridge passou a defender ideais revolucionários com seu amigo o poeta Robert Southey. Eles escreveram “A queda de Robespierre”.
Em 1795 Coleridge se casa com Sara Fricker, que era cunhada de Southey e com ela teve quatro filhos. Porém, eles acabam se divorciando. Também neste ano, Coleridge é apresentado a William Wordsworth e sua irmã Dorothy. Coleridge e Wordswoth escreveriam, posteriormente, muitos trabalhos juntos e seriam grandes amigos mesmo depois de uma briga que os afastou durante muito tempo.
Em abril de 1796 Coleridge publica sua primeira coletânea, "Poemas sobre vários assuntos". E no final desse mesmo ano escreve e publica "Ode ao ano que se vai". Em 1797 começa a escrever "O velho marinheiro" e "Kubla Khan, uma visão". Recebeu do governo uma ajuda que o permitiu escrever mais outros poemas: "Geada à meia-noite", "Christabel", "Temores na solidão" e "O rouxinol”. Em 1798 foi publicado "Baladas líricas", que continha "O velho marinheiro" e outras três poesias de Coleridge e vinte de Wordsworth. No mesmo ano Coleridge faz uma viagem para Alemanha para se dedicar a estudos sobre metafísica voltando para Inglaterra no ano seguinte.
Coleridge morreu aos 61 anos e foi enterrado no jardim da casa do farmacêutico dr. Gillman, em Highgate, no subúrbio de Londres, onde estava morando pois não conseguiu se livrar de seu vício no ópio. Lá ele terminou seu livro de prosa “Biographia Literaria (1817)”, além de outros escritos como “Sibylinne Leaves” (1817), “Aids to Reflection” (1825) e “Church and State” (1830).
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poemas estudados
Work without Hope
ALL Nature seems at work. Slugs leave their lair—
The bees are stirring—birds are on the wing—
And WINTER, slumbering in the open air,
Wears on his smiling face a dream of Spring!
And I, the while, the sole unbusy thing,
Nor honey make, nor pair, nor build, nor sing.
Yet well I ken the banks where amaranths blow,
Have traced the fount whence streams of nectar flow.
Bloom, O ye amaranths! bloom for whom ye may,
For me ye bloom not! Glide, rich streams, away!
With lips unbrighten'd, wreathless brow, I stroll:
And would you learn the spells that drowse my soul?
WORK WITHOUT HOPE draws nectar in a sieve,
And HOPE without an OBJECT cannot live.
estudo do poema
TEMA: Relação do eu-lírico com a natureza.
No poema “Work without Hope”, percebem-se dois momentos. No primeiro, que se concentra no primeiro parágrafo, o eu-lírico apresenta e descreve uma natureza dinâmica, que está sempre em movimento. Depois, num segundo momento, ele estabelece um contraste entre a natureza e ele próprio, o qual em vista de toda a produtividade daquela, se vê como um ser improdutivo. Por esse motivo, o eu-lírico começa a mostrar-se desesperançoso com relação a si próprio. A parte que se considera mais importante no poema são seus dois últimos versos. Neles, o eu-lírico expõe o motivo de seu desalento, relacionando a natureza a seu ser: assim como é em vão tentar acumular néctar numa peneira, também o é trabalhar sem esperança; e para que ter esperança se não se tem propósito? Para ele o poetar possui um objetivo, da mesma forma que uma vida bem aproveitada possui.
MOTIVO DA ESCOLHA:
Este poema foi escolhido pelo nosso grupo porque nos chamou muita atenção a relação poeta-natureza existente nessa obra. O poetar é visto quase como um processo orgânico, pois assim como a natureza trabalha sempre se renovando, também o poeta ao escrever sua obra pretende sempre impactar e renovar a mente e a vida de seu leitor. Trata-se de um processo natural e vivo, através do qual o poeta busca renovar o mundo ao seu redor.
ELEMENTOS ROMÂNTICOS:
Destaca-se a presença constante de elementos da natureza:
- Nature, slugs (v. 1)
- bees, birds (v. 2)
- Winter, air (v.3)
- Spring (v. 4)
- amaranths (v. 7)
- nectar (v. 8)
ELEMENTOS DE PROSÓDIA:
O poema é um soneto composto de 14 versos divididos em um sesteto e um octeto.
Cada verso tem 5 batidas e cada uma segue o padrão silábico fraco e forte, nesta ordem. Assim, classificamos cada verso como um iambic pentameter.
Todas as rimas são true rhymes e o esquema é ababbb (sesteto) e ccddccee (octeto).
ELEMENTOS DE RETÓRICA:
Nesse poema, nota-se a presença de muitas figuras de linguagem:
elipse: “All nature seems (to be) at work.” (v.1)
personificação: Nature (v.1), Winter (v.3) e amaranth (v.9). Este último elemento é com quem o eu-lírico fala no octeto (presença de um interlocutor).
metáfora: Todo o poema é uma metáfora na qual o eu-lírico se compara à natureza. Em relação a toda a produtividade desta última, o eu-lírico se vê pequeno e insignificante.
Há também a presença de uma inversão: “For me ye bloom not!” (v. 10)
Por último, é importante ressaltar a sutileza do eu-lírico na escolha de palavras com o objetivo criar uma atmosfera obscura: “with lips unbrightened, wreathless brow (...)” (v. 13) Essa morbidez era necessária para tornar clara a figura do eu-lírico desesperançoso.
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Epitaph
Stop, Christian passer-by! -- Stop, child of God,
And read with gentle breast. Beneath this sod
A poet lies, or that which once seem'd he. --
O, lift one thought in prayer for S. T. C.;
That he who many a year with toil of breath
Found death in life, may here find life in death!
Mercy for praise -- to be forgiven for fame
He ask'd, and hoped, through Christ.
Do thou the same!
9th November 1833
estudo do poema
TRADUÇÃO LIVRE DO GRUPO:
Epitáfio
Pare, transeunte Cristão! — Pare, criança de Deus,
E leia com o coração. Debaixo dessa terra
Descansa um poeta, ou o que ele possa ter sido.
Oh, faça uma oração para S. T. C.;
Ele, que por muitas vezes teve dificuldade em respirar,
Descobriu morte em vida, pode agora descobrir a vida na morte!
Misericórdia pelo louvor — ser perdoado ao invés de afamado
Através de Cristo, ele pediu, e esperou. Faça você o mesmo!
leitura
Epitaph foi escrito no ano anterior à morte de Samuel Taylor Coleridge. Trata-se de um dos últimos e mais importantes poemas de sua carreira. Esse não foi o único epitáfio, ou poema sobre esse tema, que ele escreveu, porém nem todos foram sobre ele mesmo.
O poema possui um esquema rímico (aabbccdd) e não mantém uma métrica poética. Nota-se que há uma metáfora no segundo verso (“gentle breast”).
Apesar de o poema ser narrado em terceira pessoa, nele o autor fala sobre si mesmo, dirigindo-se ao leitor e aos cristãos que passam por seu túmulo (“Beneath this sod a poet lies”). O poeta pede às pessoas que parem, leiam e façam uma oração por ele, pois S. T. C. é a abreviação de seu nome.
Nos versos 5 e 6, nota-se que o poeta foi uma pessoa com problemas de saúde. Porém, quando ele diz que “descobriu morte em vida”, também pode estar se referindo à morte de seu pai, que era muito ligado à ele.
Nos dois últimos versos, ele pede perdão a Deus pelos seus pecados. Pede para “ser perdoado ao invés de afamado”, ou seja, ele prefere piedade à fama após a morte.
Portanto, quando escreveu o poema, o poeta provavelmente já estava ciente de que a vida dele estava chegando ao fim e, por isso, quer alcançar o perdão de Deus.
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ensaios estudados
ensaio extraído de Biographia Literaria
referente ao capítulo 14 e acompanhado da seguinte sinopse:
"Occasion of the Lyrical Ballads, and the objects originally proposed – preface to the second edition – the ensuing controversy, its causes and acrimony – philosophic definitions of a poem and poetry with escolia".
INTRODUÇÃO
Este capítulo escrito por Coleridge esclarece a controvérsia que existiu pela frequente associação de seu nome com o de Wordsworth. O prefácio existente na segunda edição do Lyrical Ballads foi publicado em nome de ambos, porém, Coleridge não concordava com todas as ideias propostas, e, por esse motivo, decidiu especificar os pontos convergentes e divergentes. Além disso, este capítulo conta a origem da obra e possui algumas definições de Coleridge para poema e poesia.
Coleridge e Wordsworth costumavam discutir sobre o que Coleridge chamava de “dois pontos cardeais da poesia”:
- O poder de atrair a simpatia do leitor por uma fiel adesão à verdade da natureza.
- O poder de provocar no leitor o interesse da novidade através da modificação das cores da imaginação. Como, por exemplo, o súbito encantamento provocado por jogos de luz e sombras acidentais em uma paisagem familiar.
Esses efeitos são considerados como "a poesia da natureza". Os escritores buscavam chamar a atenção do leitor para os espetáculos que a natureza era capaz de criar, e procuravam recriar tais espetáculos nos seus poemas.
LYRICAL BALLADS – ORIGEM
Wordsworth e Coleridge sugeriram uma série de poemas que seriam de dois tipos:
a. Incidentes e agentes sobrenaturais:
Esses poemas causariam emoções tão dramáticas e verdadeiras como as situações reais. Estas foram contribuições de Coleridge, tais como: The Rime of the Ancient Mariner e Christabel.
b. Temas retirados de situações da vida normal e cotidiana: personagens e incidentes encontrados em qualquer lugar.
Estes foram compostos por Wordsworth e visam encantar como as situações sobrenaturais, porém são situações do dia-a-dia. A intenção é criar o encanto da novidade para coisas corriqueiras – despertar a atenção da mente acostumada e direcioná-la para a beleza e as maravilhas do mundo em torno de nós, um inesgotável tesouro.
Quando publicada pela primeira vez, The Lyrical Ballads continha 19 poemas apresentados por Wordsworth, mas apenas dois ou três foram escritos da maneira característica dele – uma maneira apaixonada. Coleridge acha que esses seus poemas mais rudes não mostram o seu gênio verdadeiro.
Coleridge escreveu apenas 4 poemas e diz que são "uma interpolação de assuntos heterogêneos”.
WORDSWORTH E A LÍNGUA DA VIDA REAL
No prefácio da 1ª e 2ª edições, Wordsworth diz que todos os poemas utilizam a linguagem da vida real. Nesse ponto, Coleridge discorda de Wordsworth e afirma que esse “credo poético” do seu amigo gera uma controvérsia, já que nem todos os poemas seguem exatamente essa afirmação.
Coleridge resolve, de uma vez por todas, esclarecer em que ponto ele concorda com as ideias de Wordsworth e em que pontos ele é totalmente contrário, já que existe uma constante associação do nome dos dois.
DEFINIÇÕES DE COLERIDGE PARA POEMA E POESIA
Para Coleridge, um poema contém os mesmos elementos que uma composição em prosa. A diferença consiste em uma diferente combinação desses elementos, ou seja, a maneira como esses elementos serão utilizados. Por exemplo, se uma composição consiste em facilitar a memorização através da rima e da métrica, ela será um poema:
Thirty days hath September
April, June, and November
O conteúdo é simples, porém o exemplo é considerado um poema apenas pela força da rima e da métrica. Apesar disso, Coleridge diz que um poema é muito mais do que a sua forma. Para que um poema exista de fato, deve ocorrer uma unidade. Todos os seus versos devem ser encadeados de uma maneira que não exista um buraco, um espaço vazio na compreensão. Ele diz que muitas pessoas consideram qualquer par de versos como um poema, mas não levam em consideração a leitura contínua. A leitura, segundo ele, deve ser apreciada como um todo. Não se deve ler somente para chegar ao fim, mas deve-se contemplar a composição.
Coleridge define poesia como qualquer composição em prosa ou verso que produza encantamento e que tire a mente do seu estado de repouso, ou seja, que produza uma atividade de imaginação. A poesia, para ele, transforma as imagens, os pensamentos e as emoções, e ainda é capaz de reconciliar qualidades opostas como, por exemplo: ideia e imagem, a novidade e o antigo. Além disso, a poesia ainda é capaz de harmonizar o natural e o artificial, subordinando a arte à natureza.
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poemas recitados
Frost at Midnight
The Frost performs its secret ministry,
Unhelped by any wind. The owlet's cry
Came loud--and hark, again ! loud as before.
The inmates of my cottage, all at rest,
Have left me to that solitude, which suits
Abstruser musings : save that at my side
My cradled infant slumbers peacefully.
'Tis calm indeed ! so calm, that it disturbs
And vexes meditation with its strange
And extreme silentness. Sea, hill, and wood,
This populous village ! Sea, and hill, and wood,
With all the numberless goings-on of life,
Inaudible as dreams ! the thin blue flame
Lies on my low-burnt fire, and quivers not ;
Only that film, which fluttered on the grate,
Still flutters there, the sole unquiet thing.
Methinks, its motion in this hush of nature
Gives it dim sympathies with me who live,
Making it a companionable form,
Whose puny flaps and freaks the idling Spirit
By its own moods interprets, every where
Echo or mirror seeking of itself,
And makes a toy of Thought.
But O ! how oft,
How oft, at school, with most believing mind,
Presageful, have I gazed upon the bars,
To watch that fluttering stranger ! and as oft
With unclosed lids, already had I dreamt
Of my sweet birth-place, and the old church-tower,
Whose bells, the poor man's only music, rang
From morn to evening, all the hot Fair-day,
So sweetly, that they stirred and haunted me
With a wild pleasure, falling on mine ear
Most like articulate sounds of things to come !
So gazed I, till the soothing things, I dreamt,
Lulled me to sleep, and sleep prolonged my dreams !
And so I brooded all the following morn,
Awed by the stern preceptor's face, mine eye
Fixed with mock study on my swimming book :
Save if the door half opened, and I snatched
A hasty glance, and still my heart leaped up,
For still I hoped to see the stranger's face,
Townsman, or aunt, or sister more beloved,
My play-mate when we both were clothed alike !
Dear Babe, that sleepest cradled by my side,
Whose gentle breathings, heard in this deep calm,
Fill up the intersperséd vacancies
And momentary pauses of the thought !
My babe so beautiful ! it thrills my heart
With tender gladness, thus to look at thee,
And think that thou shalt learn far other lore,
And in far other scenes ! For I was reared
In the great city, pent 'mid cloisters dim,
And saw nought lovely but the sky and stars.
But thou, my babe ! shalt wander like a breeze
By lakes and sandy shores, beneath the crags
Of ancient mountain, and beneath the clouds,
Which image in their bulk both lakes and shores
And mountain crags : so shalt thou see and hear
The lovely shapes and sounds intelligible
Of that eternal language, which thy God
Utters, who from eternity doth teach
Himself in all, and all things in himself.
Great universal Teacher ! he shall mould
Thy spirit, and by giving make it ask.
Therefore all seasons shall be sweet to thee,
Whether the summer clothe the general earth
With greenness, or the redbreast sit and sing
Betwixt the tufts of snow on the bare branch
Of mossy apple-tree, while the nigh thatch
Smokes in the sun-thaw ; whether the eave-drops fall
Heard only in the trances of the blast,
Or if the secret ministry of frost
Shall hang them up in silent icicles,
Quietly shining to the quiet Moon.
recitação(mp3, 900K) por Librivox (com agradecimentos!)
(contribuição GRUPO 3, turma LEI)
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retrato de
SAMUEL COLERIDGE

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• The Complete Poetical Works of Samuel Taylor Coleridge, Vol I and II
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