Linguística Cognitiva

Volume 6 Número 2 Dezembro 2010

Organizado por Lilian Ferrari (UFRJ)

Este número da Revista LinguíStica é um convite a todos aqueles que se interessam pela Linguística Cognitiva para que tomem contato com pesquisas de alta qualidade teórica, que têm como enfoque principal a análise do Português.

Produtividade lexical, espaços mentais integrados e lexias compostas na Língua Portuguesa (PE e PB): o que a Linguística Cognitiva nos ensina sobre Língua e Cultura?

Por Hanna Batoréo (Universidade Aberta de Lisboa)
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Resumo: Neste trabalho, discutimos produtividade lexical e criatividade lexical no caso da Língua Portuguesa, tanto em Português Europeu (PE) quanto em Português Brasileiro (PB). Os exemplos discutidos são o verbo “botar” e novos compostos em ambas as variedades: compostos com ‘bolsa’, compostos com ‘carbono’ e compostos com nomes próprios. Todos os compostos são analisados com base na teoria da mesclagem (FAUCONNIER & TURNER, 1998, 2002). Algumas hipóteses sobre a criação de diferentes compostos em PE e PB são estabelecidas.

Palavras-chave: Novos compostos em Português, Português Europeu e Português do Brasil em contraste, Teoria da Mesclagem, Linguística Cognitiva, Linguística e Cultura

1.  A base experiencial do uso linguístico em Linguística Cognitiva

Em Linguística Cognitiva, existe um denominador comum que serve em maior ou menor grau às diferentes vertentes que dela fazem parte. Trata-se de um conjunto de constructos teóricos que fundamenta a análise de fenómenos linguísticos, destacando-se, especial­mente, as noções de perspectiva, de base experiencial do uso linguístico (linguagem-em-uso), de dinamicidade da gramática, da não-autonomia entre sistemas cognitivos, de espaços mentais e de modelos cognitivos idealizados (Lakoff 1987 e Langaker 1987; cf., também, Batoréo 2004, Almeida et al. 2009, Silva & Batoréo 2010, Ferrari 2010).

Conforme destacado acima, uma das noções fundamentais de Linguística Cognitiva (LC) é a da primazia de linguagem-em-uso, o que aponta para o significado linguístico baseado no uso e na experiência. Assume-se, deste modo, que a experiência da linguagem é uma experiência do uso linguístico real que privilegia situações autênticas  de comunicação e não a apresentação de listagens de palavras provenientes de dicionários ou de frases ideais possíveis numa língua particular. Conforme evidenciado pelos trabalhos no âmbito de LC, sobretudo a partir dos trabalhos pioneiros de Fillmore (1979 e seguintes), ao lado de padrões abstractos regulares, as línguas apresentam uma vasta gama de itens lexicalizados e expressões fixas frequentes fortemente enraizadas social e culturalmente, cujo papel está longe de ser periférico. A LC defende, por conseguinte, que as teorias linguísticas precisam de incluir esses itens como objecto do seu estudo, sob pena de falsearem as descrições gramaticais ou elaborarem modelos explicativos equivocados.

Na sequência dos pressupostos traçados acima, defendemos que, se a mesma língua é falada no ambiente muito diferenciado social e culturalmente, em países geograficamente distantes e unidos apenas por uma parte de história comum – como acontece, por exemplo, com a Língua Portuguesa –, o objecto de análise linguística deve ser igualmente diferenciado, procurando dar-se conta das especificidades de uso do espólio comum observadas no seio de cada uma das suas variantes. Assim, no presente estudo, procurar-se-á, partindo dos pressupostos acima apresentados, focar alguns aspectos da especificidade da produção lexical no Português Europeu (PE) e no Português do Brasil (PB), dada a sua ancoragem social e cultural diferente. Os exemplos estudados serão o de verbo ‘botar’ (secção 2) e o de lexias compostas (secção 3), tais como compostos com nomes próprios no PE (secção 3.1.), compostos de ‘bolsa’ no PB (secção 3.2.) e compostos de ‘carbono’ no PE e PB (secção 3.3.). Será demonstrado como a teoria dos espaços mentais integrados (blending/ mesclagem) de Fauconnier & Turner nos permite entender melhor o processo de produtividade e criatividade lexical numa língua natural.

 

2.      O exemplo do verbo ‘botar

A observação do emprego do verbo espacial ‘botar’ (cf. Batoréo e Casadinho 2009 e Batoréo e Casadinho no prelo) leva-nos a constatar que a frequência e o tipo de ocorrências observadas presentemente são muito diferentes em cada uma das variantes nacionais da Língua Portuguesa, conforme comprovam os dados da linguagem do dia-a-dia produzida dos dois lados do Atlântico (cf. exemplos 1 e 2).

Exemplo 1. Receita (PB)

 F – Fazer um arroz?

I – É, como é que faz?

F – Como é que eu faço?

I – É

F – Eu boto a água para ferver, aí cato o arroz, aí vou  lavo. Aí boto alho na panela com a banha, aí deixo o alho corar, aí jogo o arroz dentro, aí espero refogar. Tem que botar sal. Mexe, aí depois boto água, aí deixo (rindo) cozinhar mas não me agrada fazer comida, não. Não gosto. (PEUL/RJ/Amostra 80).

 

Exemplo 2. Receita (PE) 

F – Como é que eu faço arroz?

I – Sim. Como é que faz?

F – Como é que eu faço?

I – Isso.

F – Ponho água a ferver mas antes lavo o arroz. Num tacho à parte, deito alho e um pouco de gordura e deixo o alho aloirar. A seguir deito o arroz e deixo-o fritar um pouco mexendo sempre para não pegar. Tempera-se com sal e junta-se a água a ferver. E pronto. É deixar o tempo suficiente para o arroz cozer. Mas cozinhar é coisa que não me agrada. Mas mesmo nada.

Tal como ilustra o exemplo 1, no PB o verbo ‘botar’ é frequente na linguagem do dia-a-dia com o sentido de colocar, deitar, pôr, meter. Pelo contrário, conforme ilustrado pelo exemplo 2, no PE padrão não surgem ocorrências do verbo ‘botar’ no sentido observado no PB, sendo substituídas pelos seus sinónimos contextuais ‘deitar’, ‘pôr’ ou ‘colocar’ ou, ainda, por outro verbo pleno contextualmente justificado, tal como, por exemplo, ‘temperar-se’ ou ‘juntar-se’.     

O verbo ‘botar’, hoje frequente e produtivo no PB e restrito a usos específicos fixos no PE contemporâneo padrão, foi, ao longo dos séculos, um verbo espacial utilizado na literatura com o sentido de pôr e colocar, conforme atestam os textos de várias épocas, tais como, entre outros, os contos e lendas populares[1], os textos de Gil Vicente (1518)[2] ou de Fernão Mendes Pinto (1614)[3].

No princípio do século XVI, o verbo ‘botar’ deu também origem a palavra composta ‘botafogo’, desencadeando uma grande riqueza polissémica por meio de processos de metáfora, metonímia, generalização e especificação (Batoréo no prelo). O item ‘bota-fogo‘ designava originalmente um instrumento militar, uma haste com um pavio, com a qual o artilheiro detonava os canhões (metonímia), isto é, lançava fogo; a partir deste significado formou-se por metonímia o nome da respectiva profissão. Foi esta designação que, também por metonímia, deu origem ao nome atribuído a um famoso galeão conhecido pelo seu poder de fogo, robustez e eficácia. A partir daí, muitos dos fidalgos portugueses passaram a utilizar este nome por metáfora como título nobre, tal como aconteceu com um oficial de artilharia que ganhou o apelido de ‘Botafogo‘ (por metonímia, a partir deste título) e incorporou-o no seu sobrenome. Galardoado com terras situadas na área da baia da Guanabara pelos seus feitos heróicos, passou-lhes (por metonímia) o seu novo nome, baptizando, assim, uma enseada, uma praia e, posteriormente, um bairro do Rio de Janeiro. A partir das actividades desportivas desenvolvidas nesta praia teve a sua origem (igualmente por metonímia) o nome do conhecido clube desportivo carioca de Botafogo de Futebol e Regatas, sendo os seus associados, jogadores ou adeptos conhecidos por ‘botafoguenses’.

Se hoje a semântica enciclopédica de‘botafogo’não está presente na memória dos utilizadores da língua, os nomes próprios da praia, do bairro e do clube do Rio estão restritos claramente ao espaço cultural e social carioca, transparecendo esta especificidade também nos corpora contemporâneos do PE (Batoréo no prelo).

No espaço da expansão mundial da Língua Portuguesa, o verbo ‘botar’ deu também origem aos verbos utilizados nos crioulos de base lexical portuguesa, tal como se pode observar, hoje ainda, no crioulo de Malaca[4] ou no(s) crioulo(s) são-tomense(s)[5].

No PB, o verbo é produtivo e frequente na linguagem do dia-a-dia com o sentido de colocar, deitar, pôr, embora haja tendência para o substituir pelo sinónimo contextual ‘colocar’, quando se pretende que o uso não seja rotulado como popular (hipercorrecção)[6].

Pelo contrário, e tal como demonstrámos acima, no PE padrão não surgem ocorrências do verbo ‘botar’ na linguagem do dia-a-dia no sentido observado no PB, sendo substituídas pelos seus sinónimos contextuais ‘deitar’, ‘pôr’ ou ‘colocar’. O verbo ‘botar’ surge pontualmente apenas nas lexias com um certo grau de fixidez, em que se observam usos não literais, mas preferencialmente metafóricos. Verificamos, assim, basicamente a ocorrência de três paradigmas em que o verbo pode surgir: (i) no sentido de falar, opinar, discursar: botar discurso’, ‘botar faladura’, ‘botar palavra’,  ‘botar opinião’,  ‘botar sentença’ ; (ii) no sentido de atribuir o nome de X:  ‘botar + [nome de X]’ e nas expressões (iii) ‘botar para cima’ / ‘botar para baixo’. No PE dialectal, o ‘botar’ continua utilizado mantendo uma certa produtividade, sobretudo nos dialectos setentrionais (p. ex., na Beira Interior[7] e em Trás-os-Montes[8]).

As contagens feitas com base na ocorrência do item em subcorpora do PE e do PB consultados no âmbito da Linguateca permitem constatar que o verbo é 141,3 vezes mais frequente na variante brasileira do que na variante europeia (cf. Batoréo e Casadinho no prelo).

Com base nas observações atrás tecidas, podemos concluir que existe um grande desnível no emprego do verbo ‘botar’ nas duas variantes nacionais da Língua Portuguesa: este verbo é frequente e corrente no PB, mas raro e específico no PE, estando confinado sobretudo a usos fixos e metafóricos na língua padrão, bem como a regionalismos.

 

3. Lexias compostas no PE e PB: processos de formação e espaços mentais

Se por palavra entendemos uma unidade linguística não analisável do ponto de vista sintáctico e, na escrita, uma unidade delimitada por espaços em branco (isto é, uma palavra ortográfica), o morfema lexical (lexema) é a unidade mínima distintiva do sistema semântico de uma língua. No caso destas duas unidades, trata-se de itens que podem coincidir, mas que se referem a planos de análise linguística diferentes. Quando nos referimos ao discurso e não ao sistema da língua, costumamos distinguir lexias, que podem ser simples (correspondendo a palavras simples e derivadas), compostas (correspondendo a palavras compostas) e complexas (correspondendo a uma sequência fixa, fraseológica ou idiomática). Assim, por lexia composta entendemos uma palavra composta (seja ela escrita com ou sem hífen) como, por exemplo, ‘agropecuária’, ‘ecoponto’, ‘eurodeputado’, ‘narcotráfico’, ‘petrodólares’, ‘couve-flor’ ou ‘pisa-papéis’; por lexia complexa entendemos uma expressão com algum grau de fixidez e opacidade semântica (que podem ser variáveis), tal como, por exemplo, ‘brinco de princesa’ (nome de uma planta), ‘esticar o pernil’ (sinónimo de ‘morrer’) ou ‘chegar a mostarda ao nariz’ (ficar farto/ chateado).

A seguir, iremos analisar em particular alguns dos tipos de lexias que observámos no PE e no PB: as lexias com nomes próprios no PE (secção 3.1.), as lexias de ‘bolsa’ no PB (secção 3.2.) e as lexias de ‘carbono’ no PE e PB (secção 3.3.). Com base nestes exemplos iremos falar nos processos de formação das palavras novas em Português e nos processos mentais que podemos observar por trás desta produção lexical.

 

3.1. Compostos com nomes próprios (PE)

Nos meios de comunicação social portugueses surgem frequentemente lexias compostas formadas por nomes próprios dos famosos da cultura global, enraizada maioritariamente na cultura anglossaxónica, pertencentes a personagens fictícias de literatura, cinema ou canções, actores, desportistas ou políticos (cf. exemplos 3, 4, 5 e 6 abaixo, cf. Almeida 2004), dando origem a lexias compostas originais e totalmente novas como Diane-Annie-Keaton-Hall (ex. 3), Michael “Air” Jordan (ex. 4), Saddódromo (ex. 5) ou beckhamologia e Beckingham Palace (ex. 6).

Exemplo 3

“Cresci no fascínio das gravatas generosas e pela gargalhada larga de Diane-Annie-Keaton-Hall.” (Inês Pedrosa, Expresso, 12.04.2003; in: Almeida 2004:149)

 

Exemplo 4

Michael “Air” Jordan, Peter Schmeichel, Leonardo Araújo e Carlos Valderrama: quatro estrelas que se apagam, por vontade própria, até ao final do ano.” (A Bola 18.04.2003; in: Almeida 2004:149)

 

Exemplo 5

“Tropas iraquianas desfilaram no Saddódromo” (Carlos Fino, RTP2, 04.03.2003; in: Almeida 2004:150)

 

Exemplo 6

“Tratado de beckhamologia. A entrevista que David Beckham sempre desejou dar e nunca soube. Ou como a ficção pode ser a melhor forma de encontrar a realidade no ruidoso universo que rodeia as paredes de Beckingham Palace” (A Bola, 18.05, 2003; in: Almeida 2004:151)

A criação dos novos compostos acima exemplificados pode ser explicada pela teoria dos espaços mentais integrados (blending/ mesclagem) de Fauconnier & Turner, que se tornou conhecida a partir dos anos noventa.

Assim, no exemplo 3, estamos perante o fenómeno da integração conceptual do nome da actriz Diane Keaton (input 1) com a sua personagem mais conhecida desempenhada num famoso filme de Woody Allen Annie Hall (input 2). O cruzamento entre a pessoa real da actriz com a personagem fictícia do filme por esta actriz desempenhada está na origem da formação da integração conceptual dos dois espaços de input Diane-Annie-Keaton-Hall, o que constitui uma referência cultural para toda uma geração dos apreciadores dos filmes de Woody Allen e do imaginário por ele criado, revelando-se a nível de roupa (p. ex., gravatas largas), penteados, comportamento (p. ex., gargalhadas sonoras), etc.

De um modo análogo, a integração conceptual do exemplo 4 entre o famoso jogador de basquete Michael Jordan (input 1) e a marca de calçado desportivo por ele publicitada “Nike Air” (input 2), referida aqui metonimicamente apenas por Air, desencadeia um novo espaço mental de Michael “Air” Jordan com uma imagem aérea poderosa de um jogador com altura e destreza notáveis que lhe permitem brilhar como se estivesse a voar no ar.

No exemplo 5, aintegração conceptual entre o ditador iraquiano Saddam Hussein (input 1) e o Sambódromo carioca (input 2) cria um novo espaço mental de Saddódromo com uma imagem do grandioso e vistoso desfile militar orquestrado como um desfile carnavalesco numa altura em que o referido chefe de estado se considerava um vitorioso mediático.

Por fim, no exemplo 6, surgem dois exemplos de espaços integrados em novos compostos beckhamologia e Beckingham Palace com base no nome do famoso jogador de futebol britânico David Beckham. Assim, no primeiro caso, a integração surge entre o nome de Beckham (input 1) e a designação de uma ciência habitualmente constituída pelo sufixo grego -(o)lógia (input 2) (como em paleontologia, teologia ou lexicologia), o que permite aparentemente denominar uma nova “ciência” que diz respeito a tudo ligado à vida profissional e pessoal do desportista. No segundo caso, o nome de família Beckham (input 1) está integrado com o nome do palácio real britânico Buckingham Palace (input 2), dando origem a um novo nome de residência, Beckingham Palace,  como se David Beckham fosse rei e a sua famosa família, uma família real.

Os exemplos acima apresentados constituem lexias compostas novas, palavras de vida provavelmente meteórica, mas transparentes e fáceis de decifrar para todos aqueles que pertencem à cultura global povoada por estrelas internacionais e pela realidade por eles criada. Os itens lexicais novos estão criados por composição, aproveitando frequentemente a aparente semelhança fónica entre os nomes dos diferentes inputs que podem ser até de línguas línguas diferentes, como air e ar, no exemplo 4, samba e Saddam, no exemplo 5, ou Beckham e Buckingham, no exemplo 6. Dado o carácter global da cultura dos últimos vinte anos com fortes raízes anglossaxónicas somos levados a pensar que este tipo de integração conceptual pode ter lugar em qualquer outra variante ou língua que sofre a mesma esfera de influências, não constituindo um fenómeno típico do PE.

 

3.2. Compostos de ‘bolsa’ (PB)

Os estudos recentes de Almeida (2009) e Gonçalves e Almeida (2008) e (2009) demonstram a importância da formação paratáctica isto é, por justaposição, no PB, com base na observação da produção dos meios de comunicação brasileiros (Jornal do Brasil, O Globo), focando-se, nos últimos dois anos, na produtividade de formação de compostos a partir da palavra ‘bolsa’. Os autores defendem que, ao lado das lexias já estabelecidas na Língua Portuguesa  como ‘bolsa de estudo’ ou ‘bolsa de valores’, e, ao lado das lexias já estabelecidas no seio do PB (mas não do PE), tais como ‘bolsa de alimentos’, ‘bolsa de futuros’ ou ‘bolsa-escola’,  têm vindo a ser registadas lexias antes desconhecidas, tais como ‘bolsa-ditadura’,  ‘bolsa-blindagem’, ‘bolsa-eleição’, ‘bolsa-floresta’.

Se por ‘bolsa’ entendemos tradicionalmente quer o contentor onde se pode guardar o dinheiro quer, metonimicamente, o conteúdo deste mesmo contentor, os respectivos compostos referem ora tipos específicos do contentor (e, por extensão, do Espaço que o abrange) ora do conteúdo. Assim, entre os itens tradicionalmente aceites pela língua e devidamente dicionarizados[9], encontram-se a ‘bolsa de estudo’, que significa uma ‘quantia pecuniária concedida pelo Estado ou por outras entidades a estudantes ou investigadores’ e a ‘bolsa de valores’, que refere um ‘mercado público de transacção de bens mobiliários, tais como títulos, acções, obrigações’. Pela mesma ordem de ideias, os itens recém-chegados ao PB referem uma ‘quantia pecuniária’ concedida noutro tipo de situações: (i) a ‘bolsa-família’ significa novas ajudas sociais para as famílias necessitadas, (ii) a ‘bolsa-escola’,  uma ajuda para frequência da escola, (iii) a ‘bolsa-ditadura’, a indemnização para pessoas que sofreram no período militar, (iv) a ‘bolsa-blindagem’, a ajuda governamental designada para aumento de protecção, (v) a ‘bolsa-eleição’, a ajuda dada pelo candidato não eleito aos seus correligionários e (vi) a ‘bolsa-floresta’ refere ajuda governamental para que os habitantes da Amazónia não desflorestem o seu habitat. Todas estas lexias podem ser interpretadas como espaços mentais integrados (mesclagens ou blendings) entre um input 1 constituido por ‘bolsa’ com o significado mais frequente de ‘quantidade de dinheiro’ com um input 2 constituído por uma outra entidade, tal como, por exemplo, ‘escola’, ‘ditadura’, ‘eleição’, ‘blindagem’, etc. que permite criar um novo espaço integrado designando uma quantidade de dinheiro específica fornecida socialmente como indemnização ou como ajuda em condições sociais e políticas bem definidas historicamente.

Assim, o Brasil do presidente Lula com uma política marcadamente assistencialista providencia ajudas governamentais ou novas ajudas sociais para as famílias necessitadas, constituindo uma ancoragem económica, social e cultural para as novas lexias compostas por justaposição. À primeira vista, os novos compostos brasileiros são totalmente opacos para quem desconheça os pormenores da realidade em que foram criados. É o que acontece com os falantes do PE, que – por viverem noutro enquadramento sócio-político – desconhecem os benefícios e os termos que os referem; só uma contextualização económica, social e política adequadas permitem a compreensão das novas palavras.

 

3.3. Compostos de ‘carbono’ (PE e PB)

No mundo global do século XXI, as lexias compostas fruto de integração conceptual surgem frequentemente por influência da língua inglesa: temos, assim, (i) o ‘infortainment’ como espaço mental integrado de ‘information’ + ‘entertainment’,  referindo actividade em que informação e entretenimento se inserem e cruzam, criando uma realidade nova, (ii) o ‘workoholic’ como espaço mental integrado de ‘work’ + ‘alcoholic’ ou  (iii) o ‘chocoholic’ de ‘chocolate’ + ‘alcoholic’, quando se quer indicar abuso e dependência de substâncias (como chocolate) ou modos de vida (como apego desmesurado ao trabalho).

Recentemente, porém, têm surgido compostos do tipo ‘carbon footprint’, ‘carbon tyre print’, ‘low carbon diet’, ‘low carbon emission’, ‘low carbon technology’, etc., que os especialistas (cf. Nerlich & Koteyko 2009) chamam de ‘carbon compunds’, isto é, ‘compostos de carbono’ ou seja, expressões que referem metonimicamente o uso – desejavelmente reduzido – do dióxido de carbono (CO2) e/ou de hidratos de carbono num mundo que se pretende responsável tanto do ponto de vista ecológico como social:

Climate scientists and social scientists are grappling with complex and dynamic feedback mechanisms that operate between economy, society and the ecosystem. Language is part of this dynamic system and has developed a dynamics of its own with relation to climate change. Whereas the 20th century was the century of ‘the gene’ whose measuring has been studied by many social scientists, linguists and metaphor analysts, the 21st century will be the century of ‘carbon’ whose meaning still needs to be studied, preferably before we enter the area of ‘a post-carbon-society’. There is what one may call an explosion of information around climate change. In the English speaking world, advice on how to reduce one’s ‘carbon footprint’ is provided almost daily in newspapers, adverts, books, and on websites. This explosion of information is mirrored by the explosion of lexical creativity around ‘carbon’, as much of this advice is framed by using ‘carbon compounds’ – lexical combinations of at least two roots – such as ‘carbon finance’, ‘carbon sinner’ or ‘low carbon diet’.” (Nerlich & Koteyko 2009).

 

Uma das noções fundamentais neste tipo de espaço de integração mental é a ‘carbon footprint’, isto é, a ‘pegada de carbono’, que representa os efeitos da actividade humana sobre as alterações climatéricas e o efeito de estufa, sendo medida em função de dióxido de carbono produzido. A pegada de carbono mede, assim, o impacto ambiental provocado pelos consumos individuais no planeta. Os elementos levados em conta são, entre outros, a quantidade de água e de electricidade, assim como os litros de combustível utilizados diariamente por pessoa. Este cálculo permite saber que hábitos devem ser alterados para tornar a nossa vida mais verde, isto é, ecologicamente mais sustentável. Os que vivem de modo que gastam muito dióxido de carbono são considerados pecadores que devem redimir os seus pecados, tratando das devidas indulgências, como se da época medieval se tratasse. Assim, surgem as expressões complexas como: ‘carbon sinners’, ‘carbon guilt’, ‘carbon finance’, ‘carbon fibre’, ‘carbon offset’, ‘carbon trading’, ‘carbon indulgence’, etc. Por conseguinte, o esquema de neutralização de emissões de dióxido de carbono classifica os créditos de carbono como as indulgências da era moderna, que permitem aos politicamente correctos viver com menos peso na consciência, mesmo que nem sempre se lembrem de gastar menos gasolina ou baixar o ar acondicionado. Entre os americanos, ‘crédito de carbono’ é hoje comprado como presente de aniversário, servindo de uma forma de indulgência ao pecado de consumo, promovendo o programa de neutralização de carbono socialmente responsável. Na sequência dos termos específicos “ecologicamente correctos” surgem várias expressões no Inglês corrente, tais como, por exemplo, ‘putting your carbon foot down’ no sentido de acelerar conscientemente, sabendo contar os prejuízos que a condução mais rápida pode causar do ponto de vista da emissão dos dioxídos de carbono.

Se olharmos para a nova realidade como para um novo espaço mental integrado (Quadro 1, em baixo), os créditos de carbono na versão do século XXI são análogos às indulgências papais da Idade Média: antigamente, quando tínhamos dinheiro e queríamos limpar a consciência dos pecados cometidos, comprávamos uma absolvição papal, um perdão do papa com entrada garantida no céu. O pecado no mundo do aquecimento global de hoje é o dióxido de carbono (CO2) e o Papa é Al Gore, o ex-vice-presidente dos Estados Unidos e Prémio Nobel da Paz de 2007, que se notabilizou por desencadear uma cruzada ecológica por todo o planeta (cf. Quadro 1).

A consciência verde assim criada apela aos cidadãos do planeta para, por exemplo, “pedirem absolvição” por andarem de avião:

Help the Environment: Reduce the impact of the carbon emissions from your flights on the environment

(Ajude o meio-ambiente: reduza o impacto das emissões de carbono causadas pelos seus voos ao meio-ambiente).

 

Só uma boa ancoragem na cultura global do século XXI permite perceber a integração conceptual efectuada neste caso em termos globais subjacente à criação dos “neologismos compostos de carbono”, tal como surge apresentada no Quadro 1 em baixo.

 

 

Na sequência dos neologismos do tipo carbon compounds em Inglês, as expressões análogas têm vindo a surgir em Português. Enquanto os sites e os blogues brasileiros estão cheios de traduções directas de Inglês de ‘indulgências de carbono’, ‘creditos (de) carbono’ (com a frequente justaposição e sem a preposição), ‘emissões de carbono’ e ‘compensações de carbono’, a imprensa portuguesa opta, por regra, por falar explicitamente do ‘dióxido de carbono’, tornando os textos mais transparentes (cf. exemplos 7 e 8, em baixo).

Exemplo 7:

O Brasil manteve o terceiro lugar entre países que sediam mais projetos de MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo), em abril. Desta forma, está entre os que mais vendem créditos de carbono, segundo o Boletim sobre Carbono divulgado pela Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro).” (PB, notícia de imprensa brasileira de 29 de Maio de 2009, sublinados nossos).

 

Exemplo 8:

A TAP Portugal lançou hoje o Programa de Compensação de Emissões de Dióxido de Carbono (CO2) em parceria com a IATA (Associação Internacional do Transporte Aéreo), assinalando o Dia Mundial do Ambiente e proporcionando aos passageiros a oportunidade de compensarem as emissões de CO2 resultantes dos seus voos, dando, através da adesão ao programa, a sua contribuição para projectos de redução de emissões em países em desenvolvimento.” (PE, texto de imprensa escrita, 2009, sublinhados nossos).

A comparação entre as soluções encontradas pelo PB e PE na tradução dos carbon compounds faz-nos pensar que a tendência portuguesa possa ser a de criação de lexias complexas como, por exemplo, ‘emissões de CO2, ‘Programa de Compensação de Emissões de Dióxido de Carbono (CO2)’, enquanto a brasileira se encontra mais próxima da origem anglossaxónica, apresentando as realizações compostas do tipo ‘emissões de carbono’compensação de carbono’, utilizando a metonímia ‘carbono’ para referir o ‘dióxido de carbono’.

 

4. Discussão

No presente artigo, pretendemos abordar a temática da produtividade lexical, tendo em conta que, em variantes diferentes da mesma língua, o desenvolvimento lexical e os produtos lexicais seguem caminhos próprios em função dos contextos específicos de carácter cultural, social, económico e político, sendo vividos na situação autêntica da comunicação, isto é, com base experiencial do uso linguístico, conforme defendido pela Linguística Cognitiva. Assim, na secção 2 do estudo, focámos a atenção no verbo ‘botar’, procurando demonstrar os caminhos divergentes percorridos por este item lexical dos dois lados do Atlântico, no PE e no PB. Na secção 3, o nosso objectivo foi apresentar três exemplos diferentes de criação de lexias novas, tais como compostos com nomes próprios no PE (secção 3.1.), compostos de ‘bolsa’ no PB (secção 3.2.), e compostos de ‘carbono’ no PE e PB (secção 3.3.). Os exemplos apresentados demonstraram que a criação de lexias compostas surge nas duas variantes, embora seja mais visível e pareça mais produtiva no PB, conforme demonstram os casos dos compostos de ‘bolsa’ formados por simples justaposição. Esta tendência do PB, análogas à do Inglês, tem sido sublinhada por Gonçalves e Almeida (2007) e Basílio (2005 e 2009), especialmente quando em Basílio (2009) se discutem as “fuves”: Fusões Vocabulares Expressivas, formadas por “incorporação do qualificador na palavra base de fonologia semelhante, de modo que este é revelado por uma alteração mínima na fonologia de base” (Basílio 2009). A autora sublinha também a “expressividade oriunda do elemento surpresa e da transição do qualificador para a esfera da designação”, assim como um “frequente cunho pejorativo” da “fuve” (Basílio 2009), apresentando os seguintes exemplos: ‘lixeratura’, ’glitterati’, ‘burrocracia’, ‘Billary’, ‘boilarina’ e ‘pilantropia’.

Com base nos dados por nós reunidos, a primeira pergunta que se levanta é se, por exemplo, os compostos de ‘bolsa’, tão ricos no PB como desconhecidos no PE, podem ser considerados “fuves” no sentido que lhes dá Basílio, sobretudo quando se sublinha o efeito surpresa ou até o cunho pejorativo da nova expressão.

Tal como acontece no caso das expressões com ‘bolsa’, uma grande parte dos compostos brasileiros é desconhecida pelos falantes do PE, sobretudo quando se trata de formações novas, típicas da realidade brasileira. No PE, surgem compostos baseados em nomes próprios, sobretudo de origem anglossaxónica e em função do grande impacto da cultura global, conforme exemplificado na secção 3.1. (e, também, no caso de ‘Billary’), mas trata-se de formações efémeras de moda que têm vida relativa, sobrevivendo em função da durabilidade do fenómeno da cultura global a que se referem; quando a personagem virtual perde a sua popularidade ou a estrela de música ou de desporto é substituída por uma outra, desaparece também a referência expressiva com factor surpresa que a designava. Por se tratar de formações com nomes próprios, as lexias compostas do tipo referido na secção 3.1. parecem ter carácter mais efémero e de menos impacto cultural do que as abordadas na secção 3.2.

Se, no PE, não encontramos certos compostos exemplificados como frequentes e comuns no PB, como ‘lixeratura’, ’glitterati’, ‘boilarina’ ou ‘pilantropia’, somos levados a pensar que o fenómenos muito frequente e produtivo no PB provavelmente não terá a mesma força e ressonância no caso do PE. O caso dos compostos de carbono apresentados na secção 3.3. levam-nos a pensar que a tendência do PE será criar lexias complexas (e não compostas, como no caso brasileiro) do tipo ‘creditos de dióxido de carbono’ ou, metonimicamente, ‘creditos de carbono’, mais extensas e de carácter descritivo, em vez de ‘créditos (de) carbono’ com a tendência para a justaposição no PB. As perguntas que se levantam na sequência destas observações dizem respeito ao carácter presumivelmente mais conciso e sintético no caso da produção lexical brasileira, com a tendência para a formação de lexias compostas, e ao carácter mais descritivo e extenso no caso da produção lexical portuguesa, que levam à criação de lexias tendencialmente complexas, embora as compostas não sejam raras, sobretudo nas áreas de actividade humana onde a influência da cultura global de influência anglossaxónica seja predominante.

No que diz respeito à criatividade, levantada por Basílio (2009), as construções por nós abordadas parecem ser claramente frutos de processos criativos que estão na origem de formação dos espaços mentais integrados (blending/ mesclagem), conforme proposto ao longo dos últimos anos pela teoria de Fauconnier & Turner. A criatividade no caso das “fuves” explica-se pela existência do espaço mental integrado no plano cognitivo, originário de dois (ou, possivelmente, até mais) espaços de input iniciais, originados por um espaço genérico.

 

5. Notas finais

No presente estudo, procurou-se abordar a problemática da produtividade e criatividade lexicais em Português, no âmbito de Linguística Cognitiva, tendo em conta a existência de duas variantes nacionais da Língua Portuguesa: o Português Europeu e o Português do Brasil. O PE e o PB encontram-se ancorados em realidades comunicativas diferentes e, por conseguinte, apresentam tendências de produtividade lexical específicas, claramente enraizadas em culturas e experiências linguísticas distintas. Tendo delimitado o nosso estudo à análise de alguns exemplos da produtividade lexical (o verbo ‘botar’, os compostos de ‘bolsa’, os compostos de ‘carbono’ e os compostos de nomes próprios), procurámos demonstrar os pontos divergentes e convergentes que existem em cada um destes casos no âmbito do PE e PB. Procurámos, igualmente, demonstrar pelas análises apresentadas que a criação dos compostos em Português pode ser explicitada pela teoria dos espaços integrados de Fauconnier & Turner, evidenciando a criatividade e a expressividade dos falantes de Português (PE e PB) e a sua ancoragem cultural e social no processo comunicativo. Levantámos, igualmente, algumas hipóteses, tais como, por exemplo, a aparente tendência do PE para a criação de lexias complexas, o que contrasta com uma supostamente clara tendência do PB para criar lexias compostas, na senda da influência anglossaxónica.

As hipóteses apresentadas necessitarão naturalmente de uma futura análise linguística apurada, de preferência de carácter contrastivo PE versus PB, dos especialistas dos dois lados do Atlântico.

 

Lexical productivity, blended mental spaces and lexical compounds in Portuguese (European Portuguese and Brazilian Portuguese): what does Cognitive Linguistics tell us about language and culture?

Abstract: In the present text we discuss lexical productivity and lexical creativity in the case of Portuguese, both in European Portuguese (EP) and in Brazilian Portuguese (BP). The examples discussed are the verb ‘botar’ and new compounds in both varieties: ‘bolsa’ compounds, ‘carbon’ compounds and compounds with proper names. All of the compounds are seen through  blending theory (Fauconnier & Turner, 1998, 2002). Some hypotheses on creating different compounds in BP and EP are forwarded.

Keywords: New compounds in Portuguese, European Portuguese and Brazilian Portuguese in contrast, Blending Theory, Cognitive Linguistics, Linguistics and Culture.

 

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