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AUTO-MAR
Música: Antonio Jardim
Texto: Adriano Alves
A minha navegação
não é de água salgada, não.
É de água da cor de barro,
de lembranças à boiar.
Coisa de memória feita
(rio a correr noutro rio),
nele se perde a rasura
mesmo num palmo a nadar.
Para saber dessas águas,
é preciso olhar as margens
e o que nela mais não há:
bichos, casas de menino,
qualquer coisa no lugar.
O navegar principia
nas ausências do lembrar.
Nessas memórias desfeitas
que começo a rascunhar.
De navio não preciso
(seria tolo pensar).
o navegar aqui é rito:
navegação de auto-mar
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