Apresentação

Sábado, 31 de maio de 2008
Maria José P. Monteiro, Selma Faria

Criado em 1985 como Projeto de Extensão, os Cadernos de Letras tinham como finalidade principal publicar resultados de pesquisa dos membros do Departamento de Letras Anglo-Germânicas e da Faculdade de Letras da UFRJ, bem como de colegas que atuavam em áreas afins em outras instituições. Em geral, os números apresentavam uma temática abrangente, de forma a abrigar estudos sobre as diversas Línguas e Literaturas, Ciência da Literatura, Filosofia, Lingüística, Lingüística Aplicada, entre outros. Muitas vezes eles traziam a produção apresentada na Semana Interdisciplinar de Estudos Anglo-Germânicos, evento realizado na mesma Faculdade.

A fim de incentivar a produção discente, exigida pelas instâncias de avaliação da pós-graduação brasileira, os números 21 e 22 (Interação e Mídia em Sala de Aula e Mídia, Ensino e Tradução) abriram espaço exclusivamente para trabalhos de alunos do Curso de Mestrado do Programa Interdisciplinar de Lingüística Aplicada e graduandos em projetos de Iniciação Científica, com aval de seus respectivos orientadores. O número 23 foi dedicado a conferências de professores de diversas instituições (UFBA, UFF, UFRJ) e a trabalhos de pesquisa apresentados na XV Semana Interdisciplinar de Estudos Anglo-Germânicos, sobre o tema “Discursos, linguagens, culturas”, que aconteceu em outubro de 2007.

Este número 24 dos Cadernos representa os primeiros resultados de uma reformulação da sua política editorial que tem como objetivo ampliar o alcance e a recepção do periódico e contribuir para a reflexão e o debate sobre temas estudados por professores/pesquisadores das áreas que envolvem a língua e as literaturas de língua inglesa e alemã. A revista está aberta a trabalhos de pesquisas feitos em universidades de todo o Brasil, bem como a trabalhos realizados por colegas de outros países que compartilham pesquisa e áreas de interesse através de projetos institucionalmente ancorados ou não. A nova estrutura dos Cadernos reflete, no número 24, o movimento em direção à reformulação, na medida em que traz duas seções.

É com enorme satisfação que publicamos, na seção Artigos deste número, dedicado ao tema “Língua Estrangeira em sala de aula: teoria e prática”, excelentes trabalhos que apresentam pesquisa em andamento de professores de universidades brasileiras e estrangeiras, as quais, além do mérito teórico, se concentram em questões de vital relevância e emergência para a prática em sala de aula. Tânia Gastão Saliés (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), em seu artigo “Produzindo textos acadêmicos em LE: O que está em jogo?”, discorre sobre a pedagogia de ensino de produção de textos, propondo ações pedagógicas que priorizem a aprendizagem experiencial. O artigo de Aurora M. S. Neiva, Myrian A. Freitas, Mônica M. Nobre (Universidade Federal do Rio de Janeiro) enfoca, com cuidado e competência extrema, um tema muitas vezes esquecido, mas de vital importância para o professor de inglês como LE. Tania Mazillo (PUC-Rio) analisa, em seu trabalho, as características lingüístico-discursivas da representação e da avaliação do agir dos professores em sala de aula, tomando como base textos de diários de aprendizagem. O ensino da língua alemã para um grupoalvo constituído de estudantes universitários, envolvendo o uso de suportes convencionais e plataformas eletrônicas (blended learning), é o tema do trabalho de Paulo Oliveira, Norma Wucherpfennig e Anisha Vetter (Universidade Estadual de Campinas). Hardarik Blühdorn (Institut für Deutsche Sprache, Mannheim, Alemanha) ocupa-se do conceito de coerência e outros conceitos básicos da análise do discurso e da lingüística textual, essenciais no estudo do texto e indispensáveis no contexto do ensino/aprendizagem de língua estrangeira.

A seção Espaço Aberto apresenta principalmente relatos de pesquisas e de experiências pedagógicas, seguindo uma tendência cujaênfase foi visível nas conferências principais de recente congresso mundial de professores de inglês para falantes de outras línguas – TESOL 2008 – em Nova York, Estados Unidos da América. O ensino de uma língua estrangeira, por sua característica de atividade contextualizada e dependente de inúmeras variáveis, apresenta desafios até para os mais experientes profissionais da área. A contribuição dos artigos que estão no Espaço Aberto cria um diálogo entre prática e teoria, podendo ampliar horizontes para novas investigações e elaborações teóricas.