Apresentação

Quinta-feira, 31 de maio de 2007
Idalina Azevedo da Silva

A Linguagem é para o homem a constante procura, nunca o atraso, como se o escrito não mais se presenteasse. É sim o novo que vai se construindo - pois é o se que constrói -, em múltiplas trajetórias, no desenrolar do novelo que a cada volta se apresenta e se transforma em um enrolar contínuo, de novo, e a cada enlaçamento o fio se estende, aumenta, adquire novas cores, se cria, e se acontece do nada. Assim é o rememorar a prática do encontro durante essas Semanas de Anglo-Germânicas, onde a linguagem dita as falas do colóquio. Há uma primeira que se desdobrou em muitas, agora em uma décima quinta.

A linguagem fala, diz Heidegger, ela fala e nós falamos na medida em que dialogamos com ela, e então se encaminham os discursos, o rito, o canto, o culto e mundos se criam. Discursos, linguagens e culturas participam então da mesma experiência, essencial para o homem.

Neste sentido, na tentativa de escuta do proferido durante esta XV Semana, apresentamos nestes Cadernos 23 algumas falas escolhidas como lembrança do memorável evento. Em todas elas é na linguagem que a festa acontece.

A nossa participação buscou reunir em Comemorar na Linguagem: Onde a Festa se Faz idéias fundamentais da poética de Hölderlin, as quais nos levam a pensar algumas questões essenciais sobre memória, linguagem e comemoração. O convite para a festa teve ainda como motivação o fato de termos realizado durante a Chefia do Departamento em 1992 a primeira Semana de Estudos Anglo-Germânicos.

Armindo Bião, professor convidado da Universidade Federal da Bahia (ator, encenador, doutor em Antropologia Social e Sociologia Comparada), é coordenador do Grupo Interdisciplinar de Pesquisa e Extensão em Contemporaneidade, Imaginário e Teatralidade - GIPE-CIT, desde 1994, e atua nas áreas das Artes do Espetáculo (etnocenologia, interpretação teatral, teatro de cordel, treinamento com máscaras) e da Cultura Baiana (Matrizes Estéticas e Relações Internacionais). Na sua conferência Faustos e Diabos na Encruzilhada dos Discursos Germânicos e Brasileiros ele nos apresenta o encontro da cultura brasileira com a cultura alemã através dos discursos alquimistas e fantasiosos que regam fantasticamente o imaginário faustiano e o satânico infernal em suas relações variadas.

Susana Kampff Lages, professora convidada da Universidade Federal Fluminense, autora de numerosas publicações sobre teoria literária, literatura alemã e literatura comparada, e ganhadora do Prêmio Jabuti (2003) por seu livro Walter Benjamin. Tradução e Melancolia, traz à memória em Entre Diferentes Culturas, entre Diferentes Tradições – O Pensamento Constelar de Walter Benjamin as passagens do pensador através da tradição clássica da cultura ocidental e da cultura judaica em instigantes reflexões.

Fred Góes, professor convidado da Universidade Federal do Rio de Janeiro, há muitos anos estudioso das manifestações populares da cultura brasileira, apresenta de maneira alegre e colorida no seu ensaio Mardi Gras: A Folia Americana as diversas faces da celebração carnavalesca em Nova Orleans.

A segunda parte desta Publicação apresenta comunicações escolhidas, resultantes de pesquisas acadêmicas de professores e alunos (orientados por seus mestres) da Faculdade de Letras da UFRJ e de outras Instituições de ensino e pesquisa. Estes trabalhos estão reunidos em ESTUDOS LINGÜÍSTICOS e ESTUDOS LITERÁRIOS.

O humor como recurso pedagógico é a questão levantada no artigo Phrasal Verbs em Inglês: Aprender é o Melhor Remédio (FARIA, BERNARDO e GARCIA SILVA). FREITAS discute em sua comunicação sobre Reflexos pragmático-discursivos em LI questões discursivas referentes à narrativa de língua inglesa e portuguesa. O ensino /aprendizagem da gramática descritiva no âmbito da língua inglesa são as preocupações de FROTA e FERRO em sua pesquisa. Tavares MONTEIRO discute sobre a importância do aprendizado da língua inglesa para a comunicação intercultural que dela faz uso. STANKE defende em sua comunicação a importância do conhecimento do mundo como base necessária para a leitura em língua estrangeira a partir de observações em aulas de alemão instrumental.

Comunidades on-line: discutindo possíveis definições de Kátia TAVARES procura colocar em questão alguns aspectos que influenciam a natureza e o sucesso de tais comunidades. ZYNGIER, VIANA e MENEZES em seu trabalho A interface entre lingüística aplicada e literatura: abordagens empíricas no contexto escolar discutem como e onde a Lingüística Aplicada e a Ciência Empírica da Literatura podem conjuntamente atuar para uma maior compreensão da questão da leitura literária. Esta pesquisa procura situar-se como uma ponte entre estudos lingüísticos e estudos literários.

Elisa ABRANTES ressalta no âmbito de sua pesquisa o papel fundamental das tradições históricas na construção da identidade de um povo enquanto Álvaro BRAGANÇA coloca a questão do uso da Literatura como elemento de dominação pela Igreja.

A problemática da literatura como detentora do seu próprio sentido e do papel do leitor na reconstrução do texto literário são as questões principais abordadas por Tiago CAVALCANTE em sua comunicação sobre o papel da dramatização como fonte de interação para a leitura literária. E, finalmente, Roberta LEOPOLDINO, analisando o épico anônimo, The battle of Maldon, apresenta-o como uma narrativa dos vencidos e não dos vencedores.

Em comum todos os ensaios apresentados em Cadernos de Letras 23 realizam o diálogo com e na linguagem sob perspectivas variadas conforme seus dons de procura e de prosa.

Nossos agradecimentos ao Banco do Brasil cujo apoio financeiro possibilitou esta publicação.